A ideia de que Marcelo Rebelo de Sousa podia ser Presidente da República, no final de 2015, quando resolveu apresentar a sua candidatura, levou-me a considerar que estávamos perante um "candidato a entertainer-mor do reino". Dizia-o com um sentido pejorativo, adivinhava Marcelo igual a si próprio, distribuindo beijos e abraços, qual estrela pop, sem contribuir decisivamente para a práxis política..Dois anos depois da sua eleição, sei que acertei no superficial e falhei no essencial. Marcelo é a estrela maior da política, com índices de popularidade de fazer inveja, com uma capacidade de influência na ação executiva e legislativa e, acima de tudo, capaz de perceber o que pedem os portugueses. Falando em nome deles, Marcelo também os fez sentir que vale a pena interessarem-se pela política..Hoje assinala-se o segundo ano da eleição, em março faremos contas sobre o que de mais significativo aconteceu no consulado de Marcelo. Sabemos que o eleitorado de centro-direita se sentiu traído, acusando-o de levar a "geringonça" ao colo, e como exultou quando o Presidente obrigou António Costa a demitir a ministra da Administração Interna, na sequência de Pedrógão e dos fogos de 15 de outubro..A coligação das esquerdas dá sinais de cansaço, o governo começa a pensar em eleições e o maior partido da oposição tem um novo líder. Marcelo não gosta de Rio, talvez desde que o tinha como secretário-geral do PSD e ele lhe arranjou problemas com o partido. O líder social-democrata vai ter de aprender a viver com o político mais popular de Portugal e o Presidente, que entende a importância de os eleitores terem uma alternativa, não vai poder hostilizar Rui Rio. Bem pelo contrário. Como lembrou Marques Mendes na SIC, os dois têm em comum o desejo de evitar uma maioria absoluta de António Costa. Rio não está no Parlamento, nem está no Conselho de Estado, corre por fora. Vai Marcelo surpreender-nos e dar a mão a um político de que não gosta? Nada pode surpreender num Presidente que tem estado melhor do que si próprio.