A ex-ministra mentiu. Ponto

A ex-ministra da Administração Interna mentiu. Sem o politicamente correto a que agora se chama faltar à verdade, diz-se mentiu. A questão é saber quando mentiu. Agora que nos diz ter pedido a demissão por mais de uma vez e que só não saiu porque António Costa a obrigou a ficar ou quando reiteradamente nos disse que "nunca" tinha ponderado demitir-se porque isso seria desertar, ação própria dos cobardes?

Estou tentado, contra a opinião da maioria das pessoas com quem falo, a pensar que nos mente agora e que o faz com a cumplicidade do primeiro-ministro. O mais longe que os dois tinham ido nesta tese que agora querem fazer prevalecer foi a entrevista de António Costa ao Correio da Manhã, em que o primeiro-ministro informa que Constança Urbano de Sousa "pôs o lugar à disposição". Não se demitiu, não lhe pediu "insistentemente" para a libertar, como afirma a ex-ministra na carta que tornou pública. Colocar o lugar à disposição é colocar a responsabilidade da demissão em quem já tem formalmente o poder de demitir. Não se demitiu, aceitou ser demitida, sendo que a aceitação dela não era precisa para nada.

Olhando para a história política de António Costa, para a forma como valoriza a amizade e para a importância que dá à lealdade (um dever hierárquico que se aplica de baixo para cima e de cima para baixo), estou igualmente tentado a acreditar que a carta foi escrita a duas mãos, com especial destaque para a participação do primeiro-ministro.

Pode alegar-se que faz pouco sentido que António Costa tenha participado numa carta em que o próprio acaba por ser penalizado por ter insistido na permanência de uma ministra que se considerava a si própria fragilizada nas funções. Em sinal contrário, pode dizer-se o mesmo em relação a Constança Urbano de Sousa quando se apresentou agarrada como uma lapa a um lugar que já não era o dela. Do que sei de António Costa, e não tem nenhuma ironia esta afirmação, faria o que pudesse para manter a "dignidade pessoal" de alguém que considera profissionalmente e com quem tem uma amizade verdadeira.

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Maria Antónia de Almeida Santos

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