O win-win do alojamento turístico para estudantes

São muitas as virtualidades do turismo e dos agentes económicos desta atividade, que já deram provas sobre a sua capacidade de resiliência e de adaptação às diferentes conjunturas, e a atual situação pandémica veio evidenciar isso mesmo, mas com uma novidade.

À sua função de criadores de riqueza, de garante de milhares de postos de trabalho e de promotores da imagem e do prestígio de Portugal além-fronteiras, junta-se agora uma função social como resposta a uma necessidade da sociedade relacionada com o alojamento de estudantes.

Todos concordamos que um dos principais objetivos de qualquer país deve ser proporcionar aos seus jovens uma educação de qualidade, o que, frequentemente, é acompanhado da necessidade de se proporcionar alojamento a esses estudantes, que são forçados, por uma razão ou por outra, a deslocar-se para longe dos seus locais de origem.

Como em muitas outras áreas da nossa vida, também aqui estes objetivos foram postos em causa com a pandemia de covid-19, que provocou graves constrangimentos ao funcionamento do ano letivo e que obrigou à redução da capacidade instalada nas residências universitárias. Perante este cenário surgiu então a questão de saber de que forma se poderia alojar condignamente os estudantes do ensino superior, tendo então sido avançada a ideia de se autorizar a utilização de alojamento turístico para estes efeitos.

Com o esforço e o empenho de muitas entidades, como a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a Direção-Geral do Ensino Superior e sobretudo os agentes representativos do setor do alojamento turístico, foi possível colocar em prática um projeto que permitiu o alojamento de estudantes em estabelecimentos de alojamento turístico, o que aconteceu num curto espaço de tempo e com inúmeros desafios e obstáculos que poderiam ter posto em causa todo o processo. Este foi um projeto desenhado para a conjuntura em que vivemos, e resultou numa mais-valia para estudantes, que assim conseguiram alojamento com mais facilidade e qualidade, mas também para os agentes económicos que obtiveram um rendimento que, dadas as circunstâncias, poderiam não alcançar, sendo igualmente uma forma de otimizar os padrões de procura, pois as épocas mais procuradas por estudantes são as menos procuradas por turistas, sendo estes dois tipos de oferta complementares entre si.

O sucesso da ideia não pode contudo deixar de nos fazer pensar sobre se esta não poderia ser uma solução que deveria perdurar no tempo e não apenas como medida de carácter excecional. Acredito - e não é de agora - que o alojamento turístico pode fazer parte da solução para a escassez de alojamento estudantil, que vem sendo apontada pelos sucessivos governos. Aliás, a última referência dessa preocupação é muito atual e foi exposta no próprio Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que identificou a necessidade de 15 mil camas para alojamento estudantil até 2026, porém apostando fortemente em nova edificação como a solução para o problema.

Ora, nova construção não pode ser a solução. Não vemos razão alguma para não se aproveitar a capacidade instalada do setor do alojamento turístico, sempre que seja esse o desejo do empresário, utilizando-se património existente que pouparia centenas de milhões de euros ao erário público.

O exemplo que apontei prova assim duas coisas: que nesta como noutras matérias quando se unem esforços as soluções aparecem e todos saem beneficiados e que o Estado pode sempre contar com as empresas, saiba assim o Estado responder às suas necessidades. Como alguém já o disse... quando todos ganham, ninguém perde.

Secretária-geral da AHRESP

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