O que aí vem: a tempestade perfeita

Sopram ventos gélidos de vários quadrantes. Da Europa Central levanta-se uma quinta vaga pandémica que avança para ocidente, nos Estados Unidos a inflação cresce alastrando pelo mundo, no setor da energia os preços disparam, e o mercado de futuros sinaliza que o preço do gás, com o qual se produz eletricidade, só voltará aos níveis pré-pandemia em 2025, a mão-de-obra escasseia nos países centrais, o clima continua a aquecer e não resta muito tempo para agir. Se esta não é a tempestade perfeita que grão de poeira lhe falta para o ser?

A subida da inflação já está a levar os Bancos Centrais a subir as taxas de juro. Quando este movimento chegar ao Euro Portugal asfixia. Com uma taxa de endividamento público e privado dos mais altos do mundo a subida de taxas de juro, anuncia um longo período de austeridade, de crédito malparado e resgate do sistema financeiro, declínio da produção, fuga dos mais ousados e competentes, aumento da pobreza, o passo que ainda falta para a cauda da Europa.

A crise política desencadeada por António Costa ao não negociar com os parceiros à esquerda visa evitar o erro de Sócrates que procurou impor a austeridade com o apoio das esquerdas. Assim António Costa, na sequência da vitória das eleições autárquicas, decide arriscar uma fuga para a frente na busca da maioria absoluta desencadeando uma crise no momento em que a direita está completamente desarticulada e em plena guerra civil.

No CDS o hara-kiri é fulminante, a velha elite popular prefere destruir o partido a entrega-lo aos jovens lobos. No PSD o caminho fratricida parece ser o mesmo, com a fação Passos/Rangel a prosseguir uma guerra de terra queimada. O bom senso e o equilibro só parece vir de Rui Rio.

Que armas tem o país para resistir a esta tempestade económica que se aproxima e cujos primeiros embates já se fazem sentir? Que armas adicionais estão ao seu alcance?

O investimento de fundos públicos europeus poderiam ser uma arma se não estivessem já alocados e contratados com Bruxelas, a uma variedade de obras, muitas delas inúteis e de limitado impacto na economia. Recordemos que o plano foi feito em cima do joelho por uma única pessoa, sem consultar a sociedade portuguesa. Os erros pagam-se.

Uma alteração dos limites do deficit orçamental poderia ajudar o Governo a proteger a sociedade portuguesa das mais nefastas consequências da tempestade que se avizinha. Mas a ortodoxia do centro político português quer regressar ao deficit de 2% o mais depressa possível. Uma moeda própria também ajudaria a evitar aumentos de impostos sobre as classes médias e a manter a competitividade externa.

Com poucas armas Portugal fica refém das políticas europeias de combate à crise, políticas que como se sabe são desenhadas para proteger os países centrais e não os periféricos como Portugal.

Que caminho seguir? As eleições o ditarão.

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