O pai de Kristin é português

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Foi no gabinete de José Guerreiro que alguém abriu a boca e propôs o nome que agora é maldito. Parecia inofensivo, era internacional e ninguém se chatearia. Ao presidente do IPMA pareceu-lhe bem. Ligou aos colegas europeus e todos aprovaram que seria menina a tempestade que os meteorologistas do sul da Europa previram que chegaria mais pujante a Portugal do que a qualquer outro lugar. O “K” não é letra do alfabeto que conheçamos, mas é rabisco obrigatório em quase todo o lado e funcionou como álibi, assim ninguém se chatearia por ter o seu nome associado a uma vingança… mesmo que da natureza. No seu gabinete perto do Aeroporto Humberto Delgado, José brindou ao nome Kristin e nunca mais pensou nisso. Só que os nomes são mágicos e aquele ficou a medrar longe das vistas até que, no passado 27 de janeiro, meteorologistas entraram pela sala do presidente com a notícia de que a miúda já nascera e parecia não estar para brincadeiras. Na radiografia dos mapas vinha acompanhada de Deus ou do inferno - para nós, privilegiados com boas praias, caldeiradas de chocos e Sol quase todo o ano, trazer um ou o outro, por motivos diferentes, não é uma boa notícia. José Guerreiro, sem desprimor um fidalgote de Lisboa, biólogo de referência e especialista na gestão ambiental, nunca mais se compenetrara no tema, mas é ele o pai da menina e tem o dever de a assumir. Pelo sim, pelo não, que a levem ao notário e a batizem de Guerreiro. Pode ser que acalme e os céus voltem a ser pachorrentos e previsíveis.

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