O Mar

Portugal tem noventa e dois mil quilómetros quadrados de território terrestre e um milhão e setecentos mil quilómetros quadrados de território marítimo. Além disto, estamos a reclamar junto das Nações Unidas um acrescento do território marítimo de cerca de dois milhões e cem mil quilómetros quadrados (2 100 000 m2), ligando as zonas económicas exclusivas de Portugal continental, da Madeira e dos Açores, ficando com um território total de cerca de três milhões e novecentos mil quilómetros quadrados (3 900 000 m2) - um território com uma dimensão superior ao subcontinente indiano!

Tudo isto num tempo em que praticamente tudo o que existe em terra já foi explorado e pouco ou quase nada daquilo que existe no mar é sequer conhecido.

Uma oportunidade sem igual que nos permitirá, se estivermos dispostos a voltar a ser grandes, relançar Portugal no caminho das novas descobertas e na liderança deste novo Mundo que estamos agora a começar a desbravar.

O mar foi sempre uma extraordinária fonte de alimento e uma das principais vias de comunicação e estas duas características têm tendência não só a manter-se como ainda se poderão vir a desenvolver muito mais. Mas há muito mais neste mar para além daquilo que hoje já conhecemos. Desde a energia à biociência, da química à saúde, as oportunidades que se nos apresentam não parecem ter fim.

É por isso que é tão importante começar a tratar o mar como algo que nos pertence, integrá-lo de novo na nossa cultura, fazer com que ele esteja presente em todos os nossos planos de vida. E por isso mesmo foi tão importante a atribuição do Prémio Pessoa a Tiago Pitta e Cunha, alguém que tem defendido o mar e os oceanos durante toda a sua vida. Para mostrar que em Portugal estamos interessados no mar.

Para começar a dar vida a algo que já foi começado há mais de uma década com o trabalho do Professor Ernâni Lopes, que serviu essencialmente para que os partidos políticos o introduzissem nos seus planos de governo, mas que pretendia muito mais. Pretendia que se começasse a trabalhar para preparar este futuro e a aproveitar este recurso que, se não for aproveitado por nós, outros se aproveitarão dele. Mas para conseguirmos fazer esta mudança cultural, para termos bem presente o que podemos e devemos fazer com este magnífico recurso, é essencial conseguir cativar as lideranças deste país para esta realidade.

Nada se faz sem que seja promovido com muita vontade e muita convicção por quem nos lidera. E, ao contrário daquilo que poderia parecer, não é um ministério do Mar que é importante para esta mudança, nem é a existência de um ministro com conhecimentos técnicos de um qualquer sector que já trabalhe no mar.

Aquilo que é preciso é um primeiro-ministro que acredite verdadeiramente que está nas suas mãos fazer a diferença, de um primeiro-ministro que se disponha a lutar por transformar este país, de o trazer de uma posição de país que vai sobrevivendo para a de um país que vai liderando e que traz aos seus cidadãos uma qualidade de vida real, baseada num crescimento económico substancial e também no orgulho de ser parte da liderança dos novos caminhos deste Mundo em que vivemos. É a partir desta convicção e desta liderança que poderemos envolver todas as áreas da governação que, de uma maneira ou de outra, estão completamente integradas no aproveitamento do mar.
Façamos do mar o futuro de Portugal.


bruno.bobone.dn@gmail.com

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