O IDE chinês na UE
Após a adesão à OMC, o governo chinês liberalizou os procedimentos de verificação e aprovação para o IDE no exterior com o desenvolvimento da Política Going Global. Esta política foi bem-sucedida: a China tornou-se o terceiro maior investidor global depois dos EUA e do Japão (UNCTAD, 2013). No início de 2015, a China tornou-se um exportador de capital líquido pela primeira vez na sua história.
Nos últimos anos (2017-2020), existe uma redução do IDE chinês no exterior decorrente de um maior controlo do governo chinês sobre as saídas de capital, bem como de restrições em vários países resultantes de receios sobre o impacto dos investimentos chineses, especialmente por empresas estatais.
É importante distinguir o IDE financeiro do não financeiro. A larga maioria do IDE financeiro chinês no exterior (incluindo o do CIC) vai para praças financeiras nos EUA e na UE. A seguir a Hong Kong, os Estados Unidos são o principal destino do IDE chinês, atraindo c. € 160 MM, ou 15% das saídas totais da China, entre 2005 e 2019. No entanto, a China está longe de ser o maior investidor dos EUA; o Bureau of Economic Analysis dos EUA estima que em 2019 a China foi responsável por apenas 0,8% dos fluxos de investimento nos EUA.
Neste artigo estamos a analisar o IDE não financeiro. Uma parte significativa do IDE não financeiro chinês passa por destinos-trânsito como é o caso de praças financeiras com baixa taxação (por exemplo, Hong Kong, Singapura, Bahamas, Luxemburgo, EAU). pelo que os dados são sempre algo distorcidos.
A maior parcela do IDE não financeiro chinês no exterior continua a ser em projetos de construção de infraestruturas, sobretudo de transportes e de energia, e de mineração/metais, levados a cabo essencialmente por empresas estatais chinesas.
Por outro lado, há cada vez mais IDE chinês a afluir a países parte das Novas Rotas da Seda (BRI). Nos cinco primeiros meses de 2021, o IDE não financeiro chinês em países da BRI aumentou 5,1%; os principais países recipientes foram Singapura, Indonésia, Vietname, EAU, Cazaquistão, Laos, Bangladesh, Tailândia, Malásia e Sri Lanka.
Em 2020 o IDE chinês no exterior foi c. € 133 MM. A UE (€ 6,5 MM) está longe de constituir um dos principais destinos de IDE chinês. O essencial desse IDE chinês provém de operações M&A, conhecida que é a sua preferência por empresas já operando, por oposição a green field (embora estes investimentos tenham vindo a aumentar). Os investimentos nos últimos anos na UE-27 + RU (e na América do Norte) são maioritariamente feitos por empresas privadas.
É importante que os países da UE, em especial os que mais carecem de IDE, aproveitem o potencial do novo Acordo Abrangente de Investimento entre a UE e a China, nomeadamente quando tantas empresas chinesas estão a ser excluídas de acesso ao mercado dos EUA.
Consultor financeiro e business developer
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