Tal como em muitas áreas do nosso dia a dia, também a da educação não vai escapar ao impacto da IA Generativa, com o que isso tem de bom e de mau. Os desafios são imensos e exigem reflexões urgentes e ponderadas..Quem está atento à evolução tecnológica dos últimos anos não fica indiferente à velocidade, surpreendente, das mudanças que têm acontecido na sociedade e à forma como algumas das nossas atividades diárias foram alteradas com os sistemas de Inteligência Artificial (IA) Generativa. Um processo no qual as empresas tecnológicas especializadas nestas soluções têm um papel crucial, ao impulsionar a inovação. Com o recurso a algoritmos e a ferramentas de machine learning, alimentadas com milhões de fragmentos de dados recolhidos na web, produzem-se informações completamente novas, desde textos, a imagens, áudios, vídeos ou até novas linguagens de programação..Se pensarmos que um inquérito global, feito pela UNESCO junto de mais de 450 escolas e universidades, mostrou que menos de 10% tinham políticas institucionais e/ou orientações formais relativas à utilização de aplicações generativas de IA, como o ChatGPT, em grande parte devido à ausência de regulamentações nacionais..Tendo em conta este cenário, um outro relatório da UNESCO, divulgado recentemente, o "Global Guidance on Generative AI in Education and Research", recomenda que os Governos regulamentem o uso desta de ferramentas de IA nas salas de aula, concretamente com o estabelecimento de uma idade limite para aceder à mesma, que seria os 13 anos, enquanto apela à formação de professores nesta matéria..Por aqui se vê o muito que ainda há a fazer neste campo, de extrema importância na formação das novas gerações. Mas afinal quais podem ser as vantagens de recorrer à IA em ambiente educacional? A análise deve ser feita em duas vertentes, a do aluno e do professor. Para o primeiro, a IA é mais um recurso de pesquisa e obtenção de conhecimento. O que antes exigia visitas demoradas dos estudantes à biblioteca, hoje pode ser resolvido em poucos segundos depois de uma pergunta ao ChatGPT, por exemplo, ou com leitura de minutos em sites. O que não significa a substituição do papel do professor. Já para este último, a IA tem potencial para o ajudar a elaborar questões, fazer o planeamento de aula e avaliar o desempenho dos estudantes. Cabe-lhe a habilidade de saber utilizar corretamente esta tecnologia no contexto da cultura digital..A IA Generativa tem inclusive ajudado a criar material educacional personalizado, como exercícios, testes, lições e tutoriais, adaptados às necessidades de cada aluno, tendo em consideração o seu estilo e rapidez de aprendizagem, bem os seus interesses..Veja-se o exemplo nacional da Nova Information Management School, da Universidade Nova de Lisboa, que decidiu passar a disponibilizar aos professores e alunos o acesso à tecnologia da Microsoft Azure OpenAI em contexto sala de aula, promovendo, desta forma, a inovação pedagógica e potenciando as oportunidades da IA generativa..Apesar deste mundo de oportunidades que promete revolucionar o sistema educativo como o conhecemos, e que permite proporcionar personalização, criatividade e eficiência, a IA generativa deve ser encarada como uma ferramenta, e não como uma solução definitiva, com especial atenção à necessidade de encontrar um equilíbrio entre tecnologia e o toque humano..O sucesso desta simbiose, acredito que estará em saber abraçar a IA generativa como uma aliada, para ajudar a criar um ambiente educacional mais dinâmico, adaptativo e impactante para as gerações futuras..Pedro Martins, CEO & Founder da Singularity Digital Enterprise