Iniciaram-se esta semana as candidaturas ao Ensino Superior para o ano letivo 2023/2024. Nesta altura os jovens que concluíram o Ensino Secundário, vão escolher o caminho para o resto das suas vidas. Uma escolha nem sempre livre, já que condicionada à classificação obtida para efeitos do concurso. Assim a expectativa de cada um é que dentro da média que os leva ao concurso, consigam o curso que querem e se possível a escola que desejam. Outra das condicionantes é o poder económico das famílias para os que pretendem estudar deslocalizados. Os custos com o alojamento têm subido de forma exponencial, nomeadamente nas grandes cidades, impedindo muitos dos que ali gostariam de estudar de o fazer..O Ensino Superior português está perante um conjunto de novas realidades, de que destacaria as alterações ao concurso nacional de acesso, a revisão do regime jurídico das instituições de Ensino Superior, a alteração à fórmula de financiamento e o previsível aparecimento de doutoramentos nos Politécnicos em 2024. E que interessa tudo isto ao cidadão contribuinte?.Interessa na medida em que todos somos contribuintes do sistema e o sistema deve responder aos anseios dos que dele necessitam. As famílias e os jovens que estão na fase de escolha, precisam de informação suficiente para saberem o que é e para que serve cada curso, alguns com nomes de grande criatividade; quais as saídas profissionais que o mesmo garante; qual a diferença entre fazê-lo numa instituição que trabalha para os rankings (da publicação científica, já que não há outros) ou fazê-lo numa que trabalha para o estudante; vantagens de o fazer numa universidade, ou num politécnico; à porta de casa ou deslocalizado; no público ou no privado. Nos mais carenciados a dúvida maior, é por certo a de que apoios existem e como são obtidos..Estas são algumas das interrogações que se colocam aos candidatos e nem sempre de resposta fácil. Muitas são as dúvidas que se colocam a um jovem de 17 anos e aos seus pais, nomeadamente quando o sair de casa é implícito. O nível de informação que chega às famílias ainda é altamente deficitário e o que existe é maioritariamente feito pelas instituições de Ensino Superior de forma concorrencial e interessada, na captação de estudantes..Aos potenciais candidatos, mais do que o esclarecimento de todas estas dúvidas e mais do que responder às pressões para escolher este ou aquele curso, esta ou aquela escola, porque é lá que está um futuro mais garantido, diria que devem escolher a cidade, a instituição e o curso, onde deduzem que vão ser felizes. Ser feliz é o caminho para o sucesso e para o entusiasmo necessário a esta fase da vida. E aos 17 anos há o direito a errar e a começar de novo. Se a escolha se revelar um engano, voltem à casa de partida e comecem de novo..Queremos muito acreditar que o Ensino Superior, vai continuar a garantir a liberdade de escolher, vai continuar a garantir que todos os que querem estudar o podem fazer e vai continuar a ser um fator de coesão territorial, mantendo oportunidades espalhadas pelo território, mesmo que isso signifique maior investimento na missão que as instituições de Ensino Superior fazem tão bem..Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra