A passagem de ano é sempre oportunidade para balanços e para traçar novas metas pessoais e institucionais. Este foi um ano particularmente atípico para o mundo, que há um ano acreditava estar a entrar no ano de controlo da pandemia e, consequentemente, da vida quotidiana..No ensino superior a pandemia tinha trazido o ensino à distância, a quase abolição de congressos científicos e de viagens de trabalho pelo mundo, a redução para quase zero da mobilidade de estudantes e profissionais e um previsível abrandamento da investigação não dedicada à covid-19. Na entrada de 2021 acreditávamos ser capazes de progressivamente ir voltando ao "normal" e, com altos e baixos, fomos alternando o ensino presencial com o ensino online e fomos conseguindo fazer um ou outro congresso em formatos presenciais limitados ou em formatos híbridos, muito pouca mobilidade e alguma investigação..As instituições souberam mesmo reinventar-se e hoje, dois anos depois do início da pandemia, vivem alguma normalidade na sua atividade, conseguindo ajustar-se permanentemente. Alguns ajustes vieram para ficar, como será o caso do ensino à distância, que se manterá como alternativo, nomeadamente nos ciclos pós-graduados e que permitirá formar mais pessoas e fomentar uma maior internacionalização. Percebemos todos que as aulas mais expositivas, mais teóricas, não perdem com o modelo e permitem um leque de escolha de docentes com quem presencialmente seria difícil ou impossível contar. A investigação, ao contrário do que se previa, perdeu pouco com os sucessivos confinamentos e os grupos criaram estratégias de contacto permanente através das redes, o que lhes permitiu mesmo, em alguns casos, acelerar os processos em curso..Numa altura em que entramos no terceiro ano deste novo normal, importa ajustar o quotidiano das instituições a esta realidade, percebendo que os corpos docentes podem sair enriquecidos com a participação de professores de todas as partes do mundo, que é determinante que o ensino à distância que se criou em contexto de emergência seja readaptado para um formato de verdadeiro ensino online, que os cursos tendem para o modelo b-learning. Todos estes ajustes trazem também uma nova forma de gerir, com mais necessidade de tecnologia e de mais espaço virtual em detrimento de mais e maiores instalações. Os professores que ainda não se tinham preparado para esta "revolução" terão de o fazer, sob pena de se autoexcluírem do futuro. Mas os estudantes têm também de se preparar e terão de o fazer desde tenra idade. O ensino superior do futuro não pode perder o seu caráter adulto, muito focado na autoaprendizagem, na pesquisa e no trabalho individual. O futuro implicará novos comportamentos como estudante, mas também como pessoa, garantindo que estaremos a formar pessoas que serão profissionais inovadores, empreendedores e capazes de reagir às mais diversas situações..Teremos de fazer tudo isto garantindo que os relacionamentos pessoais continuarão a ser a base da sociedade e que o mundo não evolui para uma sociedade puramente individualista e governada por algoritmos..Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra