Novas projeções demográficas para 2100

As projeções demográficas até ao final do século elaboradas em 2017 pela Divisão da População da ONU foram corrigidas pela revisão de 2019, tendo alguns estudos (vamos focar-nos no estudo de Vollset e outros, publicado na The Lancet de 17 de outubro de 2020) feito projeções apontando para uma diminuição do crescimento populacional em virtude essencialmente da introdução de fatores mitigadores das taxas de fecundidade resultantes de um maior acesso das mulheres à educação, do acesso à contraceção e de mudanças de estilo de vida. De acordo com o Survey das NU, a população mundial deverá crescer dos atuais 7890 milhões para c. 10 875 milhões em 2100. De acordo com o estudo de Vollset e outros, deverá subir até c. 9733 milhões em 2064 e atingir apenas c. 8785 milhões no final do século.

A projeção mais importante, comum ao Survey das NU e aos estudos mais recentes, é o crescimento significativo da população da África subsariana. Hoje esta região é habitada por menos de 1100 milhões de pessoas (c. 14% da população mundial); estima o estudo das NU que em 2100 deverão ser cerca de 3775 milhões (c. 35% da população mundial).

Em 2050, no estudo de Vollset e outros prevê-se que 151 países tenham uma taxa de fecundidade total (TFR) inferior ao nível de substituição (TFR <2·1), subindo este número para 183 em 2100.

No mesmo estudo estima-se que em 23 países, incluindo Japão, Tailândia, Ucrânia, Itália, Espanha e Portugal, as populações devem diminuir em 50% ou mais. Outros 34 países terão uma diminuição de 25%-50%, incluindo a China, com um declínio previsto de 48%.

Em 2100 os 15 países mais populosos do mundo deverão ser (estimativas constantes do estudo de Vollset e das NU - revisão de 2019, respetivamente): 1.º Índia (1093-1447 milhões (M); 2.º Nigéria (791-732 M); 3.º China (732-1065 M); 4.º EUA (335-433 M); 5.º Paquistão (248-403 M); 6.º R. D. Congo (246-362 M); 7.º Indonésia (228-248 M); 8.º Etiópia (223-294 M); 9.º Egito (199-224 M); 10.º Tanzânia (186- 85 M); 11.º Níger (185-165 M); 12.º Filipinas (169-146 M); 13.º Brasil (165-180 M); 14.º México (146-141 M); 15.º Uganda (120-136 M).

Estas projeções mostram diferentes trajetórias futuras para os cinco países mais populosos. Na Nigéria e no Paquistão existe um crescimento populacional contínuo até ao final do século. Na China e na Índia prevê-se um aumento populacional atingindo o pico em meados deste século, seguido de um significativo declínio populacional até 2100 - para 51,1% no caso da China e para 68,1% no caso da Índia. No caso dos EUA, após um crescimento populacional até meados do século, seguir-se-á um declínio moderado - < 10% relativamente ao seu pico da população - em 2100.

A evolução demográfica tem consequências económicas, sociais, ambientais e geopolíticas, e permite que percebamos melhor o enquadramento da previsível evolução de outros países, bem como repensar o nosso devir enquanto país e projetar políticas públicas que contribuam para mitigar ou inverter, na medida do possível, o que decorre destas estimativas.

Para Portugal, as perspetivas não são brilhantes. Em 2100, de acordo com o Survey das NU, seremos 6,6 milhões; de acordo com as projeções do estudo de Vollset e outros seremos apenas c. 4,5 milhões

Consultor financeiro e business developer
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