Começa hoje o período concedido para a abertura do ano letivo. Ao contrário do que acontecia noutros tempos, já que nem todos conseguiam fazê-lo em simultâneo, a exigência atual obriga a que exista um período definido para que o ano se inicie..Assim, a medida que uniformizou o arranque do ano letivo foi sem dúvida positiva e fez com que acabassem as inúmeras notícias sobre as escolas que não abriam no primeiro dia de aulas. Estratégias ou medidas à parte, a educação continuará sempre a mexer com a maioria da população. E no meu caso em específico, mexe e apaixona pois já passaram 13 anos desde exerço funções de administração no ensino superior..Outro ponto alto deste recomeço é obviamente o entusiamo dos mais novos. Rever amigos e interagir com os novos materiais quase faz esquecer o outro prato da balança, onde as regras voltam ao ativo com o retomar das rotinas de escola. E essas são sempre mais exigentes do que as das férias, não seja o estudo cada vez mais rigoroso fruto da evolução natural do percurso educativo de cada petiz..Do lado dos mais crescidos, a exigência dos manuais escolares - e a renovada discussão sobre a desmaterialização vinda do norte da europa -, aliada às condições das escolas e da infindável lista de material escolar, só é mesmo combatida com o entusiasmo que se vê espelhado no rosto de cada uma e cada um..De todos os níveis de ensino, verifica-se que quase sempre é dado mais enfoque ao ensino superior. Justifica-se essa importância por ser o último e mais relevante passo do ensino. Após o mesmo dar-se-á a entrada no mercado de trabalho e transita-se para uma vida verdadeiramente adulta..Alguns dos motivos apontados são a razão para que a generalidade das pessoas esteja mais consciente do que se passa ao nível do ensino superior..Do número de vagas ocupadas, passando pelo aumento ou redução das candidaturas (em termos homólogos) ou pelas medidas adotadas para assegurar habitação (residências para estudantes), esta é a categoria do ensino que possibilita que os estudantes possam fazer uso da sua "ferramenta" no mercado de trabalho. Será assim que contribuirão para o melhoramento do país e da economia nacional, quase como uma espécie de retribuição da aposta que o estado fez na sua educação..Sobre apostas e retribuições, todos os contributos à fixação de jovens em Portugal são relevantes mesmo que insignificantes pareçam. Afinal, é na soma das partes que está o todo. Por esse prisma, as análises não devem ser feitas isolando determinadas medidas, mas sim olhando para um largo conjunto de iniciativas que poderão vir a ser eficazes. O tempo o dirá..Por outro lado, é relevante elevar outro facto: todos os números oficiais apontam para uma redução de estudantes em todos os graus de ensino até ao superior. Quer isto dizer que apesar de se verificar um aumento do número de estudantes no ensino superior, a verdade é que há uma diminuição do número de estudantes na globalidade..Estes factos não se afiguram estranhos pois a pirâmide da natalidade ainda não foi invertida. Aliás, feitas as contas, há já quem queira respostas à questão se em 2030 teremos jovens.suficientes para o ensino superior. Talvez por isso se assista a várias Instituições de Ensino Superior (IES), privadas e públicas, a recorrer ao recrutamento de estudantes internacionais..A realidade desse tipo de recrutamento é cada vez mais um garante da sustentabilidade de algumas instituições e a aposta é clara com um expressivo investimento na internacionalização..Não deve chocar que existam cada vez mais estudantes internacionais, até porque é importante ter presente que esta ação está a tentar evitar que no futuro muitas IES, tanto públicas como privadas, tenham de fechar portas por falta de estudantes..A primeira medida a tomar por cada um é ter consciência da realidade: hoje começam as aulas mas não nos enganemos, precisamos de continuar a fazer mais e criticar não conta.