Na Ibéria não passarão

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A coligação do centro-direita com a extrema-direita, que muitos vaticinavam (desejavam?) que governaria Espanha, foi derrotada nas eleições do último domingo.

Tal como aconteceu em Portugal, um partido progressista de centro-esquerda enfrentou com sucesso a ameaça da chegada da extrema-direita ao poder, pela mão do PP, partido da família do PSD em Espanha.

Esta ameaça não era teórica, era bem real, pois vinha sendo já concretizada em várias partes do país após as eleições regionais e locais, desde logo na nossa vizinha Extremadura.

Esta é uma excelente notícia para Espanha e para Portugal, mas também uma extraordinária notícia para a Europa. Significa que o processo em curso de normalização da extrema-direita na Europa não passa pela Península Ibérica.

Se esse processo vingar, será perigosíssimo para a Europa, pois estes partidos têm raízes xenófobas, sexistas e antidemocráticas. Normalizar a governação com o apoio da extrema-direita é fazer perigar o projeto europeu e os valores em que ele assenta. Já basta o PPE (do PSD, do PP espanhol, entre outros) estar ele próprio cada vez mais conservador, negacionista das políticas de enfrentamento das alterações climáticas ou do consenso europeu em relação a valores humanitários básicos.

Contudo, os espanhóis disseram não a essa estratégia ultraconservadora, ao sexismo, ao ataque à unidade constitucional e a um programa político que apenas tinha uma ideia: derrotar PSOE e governar com a extrema-direita.

Como disse Pedro Sánchez, fracassaram.

A sociedade espanhola radicalizou-se muito depois do cisma na Catalunha. O apaziguamento da situação, levada a cabo por Sánchez, foi atacado desde logo pelo Vox e pelo PP mais radical. Líder fraco, sem grandes ideias, mas moderado, Feijóo nunca representou verdadeiramente o atual PP. Domingo à noite, quando discursava, já se ouvia gritar por uma dirigente mais dura, a madrilena Ayuso.

A realidade impôs-se, e os mesmos que antes previram a derrota de António Costa, e agora a de Sánchez, voltaram a laborar no mesmo equívoco. Construíram uma equação onde não incluíram um aspeto fundamental: as pessoas.

É que, tal como em Portugal, a economia espanhola funciona melhor e para mais gente do que nos tempos em que a direita esteve no poder. As medidas do Governo foram determinantes para a inflação baixar para valores significativamente abaixo da média europeia. A economia cresce bem mais do que em França, Itália ou Alemanha. A taxa de desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos 15 anos.

Afinal, tal como nos mostraram os espanhóis, as pessoas preocupam-se com o estado das suas vidas e do país; e preocupam-se em não ter a extrema-direita racista no poder. Lições simples para todos nós.

Pela nossa parte, pela parte dos progressistas e europeístas ficou claro que governaremos a pensar nas pessoas e não vacilamos no cordão sanitário à extrema-direita. Não normalizaremos estas políticas, não aceitaremos este caminho. Se depender de nós, não passarão, como não passaram nas últimas duas eleições na Península Ibérica!

Com apenas 18 anos, o atleta português conseguiu uma impressionante medalha de prata nos Mundiais de natação. Bateu o recorde nacional nos 50m mariposa (que também já era seu) e confirmou todo o potencial que já vinha demonstrando nas categorias juniores. Espetáculo!

P.S. - Este artigo será interrompido nas próximas semanas. Regressa a 31 de agosto.

Eurodeputado

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