Moulay Hassan, o Príncipe Herdeiro de Marrocos

Aviso prévio aos especialistas, "Moulay" significa Príncipe, não sendo nome. É título!

O Príncipe Herdeiro de Marrocos celebrou 19 anos no passado domingo, 8 de maio. Há 19 anos que também personifica a perenidade da monarquia e da dinastia Alaouita, mas também uma certa esperança num regresso ao passado, que não voltará mais, sobretudo fruto do imediatismo das comunicações que alteraram mentalidades. Digo certa esperança de regresso ao passado, pelo que vi durante o decorrer da Primavera Árabe em Marrocos. As novidades e imagens que apareciam nas TV"s dos cafés sempre cheios, vindas da Tunísia, do Egipto e mais tarde da Síria e Iémen, lançaram o marroquino comum na ansiedade sobre tal cenário poder partir Marrocos aos pedaços. Curiosamente foi essa informação aberta, sem censura, vinda das repúblicas do Oriente e que entrava pelas casas e cafés marroquinos que funcionou como uma espécie de vacina. O/a marroquino/a via aquilo e dizia para consigo e para os seus, "não, nós não queremos isto aqui"!

Outra forma subtil de tranquilizar os súbditos foi através das parecenças físicas entre o Príncipe Hassan e o seu avô Hassan II. Ou seja, todas as semanas várias capas de revista tinham alternadamente e em simultâneo a cara do neto e a cara do avô, expostas avenidas abaixo lado-a-lado, numa mensagem de que tudo é momentâneo e passará. A glória voltará, passada a tormenta e a esperança está aqui e é nossa! Consta que a última mensagem de Hassan II ao seu filho e actual rei, Mohammed VI (MVI), no leito de morte foi il faut durer. Ora esse objectivo tem sido conseguido e consolidado, MVI herdou o difícil dossiê da Questão Sahraoui e tem "levado a areia ao seu deserto", o Sara Marroquino, agora integrado na soberania marroquina através do Plano de Autonomia de 2007 e melhorado para integrar a Constituição de 2011. Reconhecido pelos Estados Unidos da América, Espanha e Israel, em breve verá uma catadupa de reconhecimentos individuais ou em pacote através da União Europeia (UE) e bloco favorável nas Nações Unidas. É esperar, da mesma forma que se espera que um dia o Príncipe chegue a rei.

Encaminhada a questão sahraoui, Moulay Hassan terá certamente foco na parte II do projecto de unificação territorial.

Encaminhada a questão sahraoui, Moulay Hassan terá certamente foco na parte II do projecto de unificação territorial. Ceuta e Melilla, espanholas e da UE, o que aliás muito tem ajudado empresariado Marroquino, através da facilidade e agilidade dos seus serviços. Qualquer assunto relativo a transferências de dinheiros para fora do reino, por exemplo, aceder a estes enclaves é ter os serviços que se prestam nas Berlengas, caso estas tivessem um terminal multibanco!

Esta Parte II do projecto será bem mais difícil, porque é importante para a Europa ter uma lança nesta África, mas porque também a presença da soberania europeia é benéfica para Marrocos, estando esta no seu território.

Noutro registo oficioso, sabe-se hoje que o rei Juan Carlos de Espanha em 1976, pouco após a sua entronização e como forma de se afirmar, terá ligado ao seu homólogo marroquino e terá dito, "se quiser aproveitar o momento é fazer agora barulho comigo sobre Ceuta e Melilla, que eu vou fazer barulho com os ingleses por causa de Gibraltar. Mas fique sabendo, é só barulho, que nunca abdicarei dessa Espanha ultramarina"!

Parabéns jovem Príncipe, que em breve este até será o menor dos seus desafios.

Politólogo/Arabista www.maghreb-machrek.pt

O Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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