Os recentes acordos comerciais celebrados pela União Europeia são boas notícias para a economia portuguesa. Apesar de ainda não estarem 100% operacionais – no caso do Mercosul, porque o Parlamento Europeu enviou o processo para o Tribunal de Justiça; no caso da Índia, porque falta todo o processo de consolidação legal – mostram que a Europa está acordada e disposta a ir à luta, respondendo com livre-comércio à vaga de protecionismo americana.Pela nossa condição geográfica e pela relação histórica e cultural com o Brasil, o tratado com o Mercosul é o que apresenta melhores perspetivas para as exportações nacionais. Assim que entrar em vigor, Portugal vai passar a ser a efetiva porta de entrada europeia ao comércio marítimo proveniente da América do Sul, o que constitui uma inegável vantagem competitiva.Além disso, com a redução de tarifas, o nosso país terá um grande potencial de crescimento no mercado brasileiro em produtos que, já hoje, são bastante valorizados pelos consumidores, como é o caso do vinho – Portugal tem a terceira maior quota de exportação de vinho no Brasil, só superado por Chile e Argentina – e do azeite. Finalmente, haverá outros setores beneficiados além do agroalimentar, como são exemplo a metalomecânica, os componentes para automóveis, a construção, as TIC ou os serviços de engenharia e tecnologia industrial.Tratando-se de um negócio diplomático, o acordo do Mercosul não está isento de contrapartidas e riscos. Um dos mais citados é a possível concorrência desleal que os produtos agrícolas europeus podem vir a enfrentar, pelo facto de obedecerem a regras ambientais e sanitárias muito mais exigentes do que aquelas que os produtores sul-americanos enfrentam. Essa ameaça, no entanto, está suficientemente aplacada nas cláusulas do acordo, que prevê, entre outras condições, a salvaguarda das denominações de origem protegida europeias e a garantia de que todos os produtos oriundos do Mercosul terão de obedecer aos mesmos critérios de qualidade praticados no continente europeu.A parceria com a Índia, anunciada esta semana, oferece perspetivas e benefícios semelhantes. As oportunidades abertas por estes acordos superam largamente as ameaças e, num quadro internacional marcado pela incerteza, é fundamental haver sinais de estabilidade, diálogo e previsibilidade para que a economia prospere. A Europa mostra, assim, que está do lado certo da história e Portugal só tem a beneficiar com isso.