Marca Portugal. Contra os "canhões" valorizar, valorizar!

Nem todas as culturas vivem o tempo da mesma forma. Na cultura hindu, por exemplo, a crença na reencarnação desvaloriza o passado e o presente, em função do futuro. Nós vivemos nos três tempos (passado, presente e futuro) e a nossa prosperidade depende do edifício que saibamos construir com estes três pilares de palavras.

Do passado remoto temos: luta, expansão e glória, lideradas depois pela palavra - partir - e pelas firmas dos Descobrimentos que se muniram de vento e uniram - religião, comércio, expansão geográfica e política. Depois temos palavras de ditadura, do fim do império colonial e de um país pobre, pequeno, negro e triste. Agora temos as palavras de modernidade que geraram desenvolvimento, mas também "bancarrota" e falência dos "empresários" e dos políticos e das suas redes de poder e de dinheiro, que nos envergonharam e estagnaram o crescimento do país.

Do presente temos a palavra pandemia que nos forçou a uma paragem que nos deixou atarantados, numa espécie de "marquise" translúcida de resignação e de inveja, que quando vem o sol bronzeia-se de esperança, mas que rapidamente volta a ficar nublada, pela improdutividade ansiolítica de uma sociedade que continua a precisar de legitimação externa para acreditar em si mesma.

Do futuro vem-nos a dormência das palavras, o medo de ter falta de vontade para acreditar que o mundo é um lugar melhor por nós existirmos, e que é nos nossos sonhos que estão as realidades de amanhã.

Mas porque importam tanto estas palavras na celebração do Dia de Portugal, numa altura em que se questionam tanto as nacionalidades?

Talvez porque para muitos povos significa pouco, mas para nós significa mundo!

Ser português é vestir palavras fortes: é ser salgado, ventoso, sofredor. É também sentir mais, sentir dor na alma, mesmo na glória; é ser mestre-de-obras como dizia o mestre Agostinho da Silva; obras que miscigenaram animais, plantas e raças e que deixaram obra um pouco por todo esse mundo.

Valorizar as palavras primordiais da nossa nacionalidade é investir no pilar mais profundo da nossa marca, deixando para trás, nesta matéria, a maioria dos países do mundo, cuja história ou é curta ou não tem tantas razões de orgulho.

Investir em palavras de futuro é libertar o sonho dos portugueses para que voltemos a "partir", desta vez trazendo o mundo a Portugal, cuja fronteira não se esgota nem na nossa terra nem no nosso imenso mar. Temos nacionalidade semeada em todo o planeta, e entre muitas outras marcas a nossa língua, a de Camões, tem palavras usadas em mais de 60 outras línguas - só no japonês são 90.
A língua portuguesa é o maior recurso endógeno da nossa nacionalidade alargada pela nossa diáspora e por uma comunidade multinacional de 280 milhões de pessoas. O português é quinta língua mais falada no planeta, a terceira no hemisfério ocidental, e a primeira no hemisfério sul.

Lembro estes números para que tomemos posse da real dimensão da palavra Portugal e nos libertemos das palavras-lamúrias de pequenez e impossibilidades que só nos prejudicam. Somos do tamanho dos nossos sonhos (Fernando Pessoa) e o impossível é apenas uma palavra que existe para desafiar as nossas convicções.

Portugal tem muitas palavras-razões para ser uma das dez marcas-país mais importantes do mundo. Porque estamos então parados, como se estivéssemos a evoluir? O que nos impede de ser aquilo que temos o direito e o dever de ser? Ninguém fará este caminho por nós. Ninguém, que não nós, tem interesse em que façamos este caminho. O caminho não se fará sem nos pormos a caminho.

Temos dez anos para multiplicar por dez o nosso valor, para que a 10 de junho de 2031 sejamos o presente que achávamos que seria impossível.
O passado está aqui para nos apoiar, para nos ajudar a valorizar, o futuro está ansioso para voltar a ser português.

Lembremo-nos, neste dia de Camões, que os Lusíadas somos nós, e que nós não somos de nos ficar, somos de palavras fortes, nação valente, marca de Portugal!

Especialista em marcas, presidente da Ivity Brand Corp, signatário do movimento Marcas por Portugal

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