Legislativas 2020. Uma análise política e uma opinião sustentada

O Movimento de Militares pela Verdade (MMV) analisa e pronuncia-se sobre os programas e manifestos dos vários intervenientes nas próximas eleições legislativas na área da segurança e da defesa nacional. Logo que possível, publicaremos uma análise "mais fina" e técnica, partido a partido, onde destacaremos o que está vertido nos respetivos programas e manifestos eleitorais.

Assim com simplicidade e objetividade, neste momento, dizemos:

Marcadamente uma diferença entre a longa narrativa (programas com mais de cem páginas) e a modernidade (programas com menos de 20 páginas) que saudamos vivamente.

O Partido Socialista, e, talvez, bem, perdido que foi o apoio que lhe foi, em tempos, concedido pelas "nobres" figuras do dito GRE(I), remete-se ao silêncio, ignora a matéria ou dá-lhe a importância e a prioridade que entende dar e... nada de substantivo diz.

O Partido Social-Democrata, com as evidentes contradições no seu Grupo de Estratégia, tendo "perdido" a coordenadora do partido na área respetiva da Assembleia da República, vive entre o "apagamento" do senador e a "esperteza" de um académico sibilino e manobrador.

Emergem duas figuras, na área, uma com pretensões a substituir o senador, mas sem gabarito para tal, resume a sua intervenção à sua área de expertise e na segurança interna um "aspirante" a político nacional vai pautando intervenções de alguma qualidade com outras de grande "desastre".

Têm um longo programa, que já não se usa, com páginas na Segurança Nacional de grandes generalidades e vacuidades.

Não assumem, por complexo de liderança, a Reforma Defesa 2020 do governo de Passos Coelho, que o PS respeitou e não reverteu.

Sinal evidente de pequenez, ciúme e inveja.

Em boa verdade e tornando como referência a Defesa 2020, só faltará que a Assembleia da República futura assuma, de vez, a importância que deve ter nestas matérias e reclame a sua intervenção no processo de nomeação do CEMGFA, submetendo o indigitado a uma audição (não vinculativa) na respetiva comissão parlamentar.

Não deixa de ser, no mínimo, estranho que o parlamento nunca tenha reivindicado este papel.

Quanto aos outros partidos:

O Partido Comunista Português, como não podia deixar de ser, vive entre a constância e os fantasmas.

É coerente, sempre o foi, com princípios que nem na era da União Soviética tiveram aplicação.

O Bloco de Esquerda prossegue a sua luta contra a NATO, pretende "desmilitarizar" o Laboratório Militar, o reforço da PJ e das polícias criminais (devem ter quota no sistema prisional), e formar polícias contra o "racismo e a violência policial".

O Chega traz, com coragem e bem, temas que só se ouviam em surdina ou petit comité.

Boa "chegada" portanto... aguardemos.

O CDS não se limitando a pedir mais meios para as polícias ou a propor a tradicional "libertação" de efetivos para a atividade operacional , põe o dedo na ferida e pede a "dignificação" das FA e das Forças de Segurança e o agravamento das penas para os crimes de ofensas à integridade física dos agentes de autoridade.

Concluindo:

- O PS fez o que lhe parece adequado.

- O PSD não conseguiu sair da vacuidade e da ligeireza e pretende marcar posições na nova área de "negócios", da Proteção Civil e Emergência. E das ditas indústrias de ou da defesa

- O PCP mantém-se coerente com o desfasamento da realidade e das circunstâncias.

- O Bloco não está neste país.

- O Chega é a novidade.

- O CDS tem um líder que se reclama de "militar". Como? Porquê?

Como. Sabiamente diz o povo... Muita parra e pouca uva...

Antevê-se assim um incremento na área de "negócios" da Proteção Civil e Emergência, incremento na implementação da Defesa 2020 e algumas conferências e debates para animar os "académicos".

Entretanto, algumas perguntas pertinentes:

1. Resultados do grupo de trabalho presidido pelo general Valença Pinto na área do recrutamento?

2. O que se passa no Instituto de Defesa Nacional?

3. Como resolver os problemas existentes no apoio em saúde e social complementar aos militares e seus familiares, designadamente na ADM e no IASFA?

4. Estudos sobre vencimentos, suplementos e subsídios?

5. Afirmação clara e inequívoca da condição militar.

6. Aposta clara e definitiva no mar português.

7. Coerência nos sistemas de segurança interna e de defesa militar e sua correta e necessária articulação.

Aqui deixo os sete desafios do presente para assegurar o futuro.

Numa perspetiva de médio prazo acrescento mais três - grandes - desafios/opções.

Participar ativamente, no processo de análise, revisão e construção de: novo conceito de estratégia da NATO (em curso).

Política de segurança e defesa da UE (em construção).

Revisão da Constituição da República pela afirmação de um conceito estratégico nacional (urgente).

Vamos dar "corpo" ao "sonho" de Adriano.

Vamos cumprir Abril.

Deixemos, definitivamente, para trás os "Velhos do Restelo" e sigamos, com vigor e determinação, os "Novos Argonautas".

Sobre isto, falarei, com profunda objetividade, em abril, em Cascais...

PS - Se me é permitido um conselho a J. Cravinho: senhor ministro, ponha "ordem" na sua assessoria de imprensa pois, como escreveu Sun Tzu, "as guerras não se ganham maltratando os mensageiros mas apoiando os justos e os verdadeiros".

Secretário coordenador do MMV

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