Cenas de pancadaria em gabinetes do governo e uma polícia secreta perigosamente ao serviço de um partido, em vez do Estado, sem responsabilidades políticas básicas assumidas por quem seja, são só os sinais impressivos de uma crise política profunda, que já vem de longe..Em vez de demitir um ministro incompetente, para salvaguardar a dignidade do Estado, o primeiro-ministro preferiu manter João Galamba no lugar, para afrontar o presidente da República. Fez mal. O PS goza da maioria absoluta mais absolutamente instável de democracia portuguesa. E quando o primeiro-ministro opta por mostrar o músculo a Belém, em vez de reforçar as pontes com Marcelo Rebelo de Sousa, o cenário tem tudo para se agravar..Ao Presidente da República o primeiro ministro quis dizer: habituem-se. A questão é que, aqui chegados, são cada vez menos os que estão disponíveis para a condescendência acrítica, em relação àquilo que não faz sentido nenhum..Pouco mais de um ano de exercício do poder está resumido a uma sucessão permanente de casos, escândalos, nepotismo, ausência de estatura e de sentido de Estado..Ninguém se habitua a 13 governantes substituídos em 12 meses, alguns no cargo por pouco mais de 24 horas..Ninguém se habitua a uma ministra da Agricultura em guerra com os agricultores, sem ser convidada para os certames do sector, responsável pelo risco da perda de ajudas europeias, por falta de regulamentação de regras básicas..Ninguém se habitua a nenhum dos escândalos na TAP renacionalizada por ideologia, depois de 3,2 mil milhões de euros dos contribuintes gastos, enquanto o primeiro ministro segura pela mão o ministro das Finanças..Ninguém se habitua a ouvir António Costa dizer que não sabia nem foi informado de nada do que o SIS fez para recuperação de um computador, sabendo-se que está em causa um ministério do seu governo, pessoas escolhidas por si, um equipamento de um adjunto e do secretário geral do SIRP, que dirige o SIS, por acaso depender directamente do primeiro-ministro com o estatuto de secretário de Estado. Esta história está mesmo muito mal contada e ninguém lúcido poderá sentir-se tranquilo com os riscos, pela falta de escrutínio, que ficaram à vista de todos..Voltando ao ministro das Infraestruturas, João Galamba até poderá manter-se sentado no lugar, depois de uma demissão encenada e de destruído em directo perante o país inteiro pelo presidente da República, acusado de "situações rocambolescas, muito bizarras, inadmissíveis ou deploráveis"..Qualquer pessoa com um resquício de amor próprio, nesse mesmo dia diria: desculpem lá qualquer coisinha, mas vou-me embora. João Galamba não. Seja como for e para o que importa, mesmo ficando no cargo, já não é verdadeiramente ministro. João Galamba é lastro e é estorvo, com apoio ou sem apoio de António Costa. Excepção feita à nomenklatura apparatchik do PS, já ninguém o leva a sério. Bem vistas as coisas, afinal, neste momento, essa é também a imagem do governo inteiro.. Líder do CDS-PP