Ir viver para Taiwan

Desde há muito tempo que os portugueses vão para o estrangeiro à procura de melhores condições de vida.
O que não estava à espera é que, por causa da pandemia, os portugueses pudessem considerar ir viver para países com uma "boa gestão" no combate à mesma.
Tudo isto vem a propósito da história do meu amigo Miguel.
Em janeiro deste ano o Miguel, a mulher e, o filho de 5 anos decidiram ir viver para Taiwan.

Era um objectivo antigo, mas, que vinha a ser adiado. Contudo, a pandemia acabou por acelerar esta decisão. O filho do Miguel, desde março de 2020 que não ia à escola. Também não podia ir aos parques infantis e, deixou de poder conviver com outras crianças.
O Miguel e a mulher desde março de 2020 encontravam-se a trabalhar em casa.
Tinham que ter cuidados redobrados com as compras que, eram sempre cuidadosamente desinfectadas.
Isto não era vida. Mas, não existia segurança fora de casa.

O Miguel enfrentou imensas dificuldades na gestão da sua empresa. A comunicação das autoridades era tudo menos clara. As regras e excepções não ajudavam, numa situação que, por si só, já era bastante complicada.
E, o futuro não se mostrava nada risonho. Fica-se com a ideia, os factos não o desmentem, que a estratégia de Portugal no combate à pandemia é: quando isto terminar terminou! Não sabemos bem como, nem quando?

E, por tudo isto o Miguel e a família decidiram ir viver para Taiwan.
Para eles a escolha não poderia ter sido melhor.
As diferenças falam por si. À saída do aeroporto estava um táxi, escolhido pelas autoridades locais, com a indicação de os levar directamente para casa, onde iriam permanecer durante 14 dias de quarentena.
Antes de entrar no táxi, os passageiros e as bagagens foram cuidadosamente desinfectados.
Receberam indicações precisas que, no percurso até à porta de casa, escadas, portas, elevador, deveriam desinfectar tudo aquilo em que tocassem.

Os leitores ainda se lembram do stayaway covid?
Em Agosto de 2020, Mariana Vieira da Silva, ministra da presidência e da modernização administrativa, confirmava que, a aplicação portuguesa de rastreamento de contactos iria estar disponível a partir da "semana seguinte".
E, depois o que é que aconteceu? Quantos portugueses usaram ou estão a usar a aplicação? Quais os resultados?
Mais um exemplo, a somar a tantos outros, de falta de planeamento e de "implementação" fracassada.

Quando o Miguel chegou ao aeroporto teve que substituir os cartões de telemóvel, por cartões de operadoras locais.
Quando chegou a casa recebeu um telefonema de um polícia que transmitiu as instruções a seguir, nomeadamente que se tinham que se inscrever num grupo, tipo WhatsApp"
E tudo isto para quê?
Para monitorizar a execução da quarentena.
O Miguel e a família, tiveram que enviar diariamente durante a quarentena, uma mensagem a dizer a informar se estava tudo bem.
Também, diariamente tinham que dar resposta a uma mensagem que dizia, responda: 1. Caso não tenha sintomas; 2. Se tiver sintomas ligeiros; 3. Se tiver sintomas extremos.
Quando se esqueciam, recebiam um alerta a solicitar resposta.
O tracking em Taiwan é uma ferramenta eficaz no controlo de contágios. Em Portugal o stayaway covid não passou de uma ideia.

E, a recolha de lixo é outro bom exemplo de medidas simples e eficazes na prevenção ao combate da pandemia.
O Miguel foi avisado que, durante a quarentena, o lixo seria recolhido duas vezes e que, seria avisado do dia e hora para colocar o lixo no exterior devidamente fechado.

Prevenir sempre foi a melhor estratégia no combate à pandemia e, Portugal podia ter apreendido a fazer o mesmo.
Por isso é que o Miguel, quando estava em Portugal, por sua iniciativa decidiu desinfectar as compras. Em Taiwan deixou de o fazer porque as condições de segurança implementadas pelas autoridades dispensam este tipo de iniciativas individuais.

Muito se tem falado da intoxicação noticiosa da pandemia.
Em Taiwan a comunicação é gerida pela CECC "Central Epidemic Command Center". A pandemia não é o assunto do dia. As autoridades preocupam-se em prevenir e agir proactivamente. Em Portugal opta-se por "anunciar o anúncio de futuros planos".

Em Taiwan não se fazem debates sobre o uso da máscara. A experiência de muitos anos demonstrou que a máscara continua a ser a medida mais eficaz na prevenção ao combate da pandemia.
Em Taiwan todos usam máscaras cirúrgicas. Em Portugal temos de tudo um pouco, desde as sociais com ou sem publicidade e, com cores para todos gostos, às FFP2 e a ainda aqueles que acham que de nada serve usar máscara. A democracia plena da máscara. Depois, os resultados aí estão a demonstrar o óbvio. Cada um por si e salve-se quem puder.

Portugal poderia ter sido a Taiwan da Europa. Bastava ter feito bom uso da experiência que foi partilhada com a DGS e Cruz Vermelha há 13 anos, por altura da gripe das aves.
Já em 2020, muitos foram os emails enviados ao Presidente da República e ao Primeiro-ministro a oferecer ajuda.
O silêncio foi a resposta. Os mais de 16.500 portugueses que morreram e, ainda todos os que infelizmente irão morrer, devido à pandemia, não falam.
Daí ser de vital importância não deixar também morrer este assunto e, repetir vezes sem conta que, ainda é possível fazer a diferença.

Uma vida que seja, merece todo o nosso esforço.

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