Chegou o Natal. Por todo o lado, as decorações que anunciam a data festiva, mas antes das férias, houve os testes e as avaliações. Seja através dos chamados testes de escolha múltipla ou de testes que obrigam o aluno a construir uma resposta. A escola e muitos dos seus professores continuam a recorrer aos testes como uma das principais modalidades para certificar competências e descrever os progressos dos alunos na aprendizagem. Mas serão os testes verdadeiramente indicadores de competências? Será que as notas ou mesmo a correção de um teste para toda a classe ajudam os alunos efetivamente a perceber o que deveria ter sido aprendido? Os testes são realmente capazes de especificar os progressos que os alunos fizeram em relação aos objetivos de aprendizagem e a proporcionar feedback de forma a melhorarem?.Estas perguntas tornam-se ainda mais pertinentes quando se sabe que as notas dependem e muito do background académico anterior dos alunos e estão claramente associadas ao seu nível socioeconómico. Também as suas crenças e expectativas sobre o sucesso e os sentimentos de autoeficácia são fatores que influenciam o seu desempenho..A modalidade de avaliação em que a nota decorre sobretudo de testes está associada a uma cultura e tradição escolar em que o professor transmite um conteúdo, os alunos têm de o apreender por memorização e reproduzi-lo de forma a corresponder ao teste, mesmo que isso signifique, por vezes, olvidar esses mesmos conteúdos poucas semanas ou mesmo dias depois. Quantos de nós se lembram da data exata das invasões francesas em Portugal ou são capazes de efetuar, sem auxílio de uma calculadora, uma raiz quadrada?.Não se pretende com estas questões defender uma cultura escolar de facilitismo, mas antes salientar que existem outras modalidades de avaliação (e de aprendizagem, já agora!) que passam por projetos, apresentações, debates, etc. E ao utilizar-se os testes como uma das modalidades de avaliação principais será importante proporcionar aos alunos orientações explícitas sobre como melhorar (e bem mais específicas do que "tens de estudar mais" ou "tens de prestar mais atenção"!) assim como demonstrar confiança nas suas capacidades de progressão..Vivemos numa época de intensas e rápidas mudanças e a escola tem igualmente de mudar não podendo continuar a adotar o mesmo modelo transmissivo do século XIX. As novas tecnologias e a Inteligência Artificial colocam novos desafios ao ensino, as fronteiras entre a aprendizagem formal e informal vão-se esbatendo e a formação é uma tarefa a realizar ao longo da vida. As experiências de aprendizagem precisam de ser desenhadas tendo em conta a evolução rápida da sociedade e a avaliação tem de acompanhar essas mudanças..Estas reflexões tornam-se ainda mais pertinentes quando um relatório da OCDE de 2012 sobre educação no século XXI realçava já a necessidade de desenvolver nos alunos para competências como a criatividade, pensamento crítico, colaboração e responsabilidade social, etc. Estas são as capacidades mais enfatizadas para formar cidadãos num mundo em mudança. Esse relatório dava conta ainda de como os alunos europeus e norte-americanos revelavam muitas lacunas em relação a estas competências. Isto significa que o modelo de escola que prepara os alunos para fazer testes e passar nos exames parece não ser aquele que conduz ao desenvolvimento de um pensamento crítico, à promoção de competências criativas ou ao aprofundamento da capacidade para colaborar..As incertezas de um mundo em plena revolução tecnológica e social pressionam a escola para a mudança em termos de práticas pedagógicas e de avaliação. Mesmo que essa mudança tenha sido até ao momento bastante tímida, essa pressão vai acentuar-se. Como diria o nosso poeta maior, Camões: «Todo o mundo é composto de mudança/tomando sempre novas qualidades»..Professora do Ispa - Instituto Universitário e escritora