As toalhas da Abyss&Habidecor, produzidas em Silgueiros, Viseu, continuam a estar nos expositores do Harrods, em Londres, da Harvey Nichols, no Dubai, ou na Ambiance, em Paris. São considerados dos melhores do mundo. Recentemente, o Quinta da Bacalhôa Tinto 2022 foi selecionado para integrar a lista de vinhos da classe executiva Club World durante o primeiro trimestre do ano.A marca de calçado Josefinas continua a liderar em mercados como os EUA e a primeira-dama de Nova Iorque, Rama Duwaji tem sido vista a usar sapatos da Miista, uma marca que recorre a artesãos portugueses para fazer grande parte da sua oferta.No mesmo sentido, a atriz portuguesa Isabel Zuaa está mais perto de pisar o palco dos Óscares, uma vez que integra o elenco do filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que está nomeado nas categorias de Melhor Filme e de Melhor Filme Internacional, entre outras. Na sexta-feira, a Polícia Judiciária nacional intercetou um semissubversível ao largo dos Açores, que carregava cerca de 9 toneladas de cocaína, fazendo dela “a maior apreensão jamais efetuada” deste tipo de droga em Portugal.A esta altura, estará a perguntar-se, caro leitor, porque está a ler parágrafos aleatórios sobre factos e empresas nacionais. Mas, se reparar bem, verá que não são tão fortuitos quanto parecem: na verdade, todos eles têm em comum, precisamente, algo que temos pouco hábito de salientar. As coisas boas que por cá se fazem, e que nos podem alegrar em tempos de desânimo e de desesperança. É certo que há muitas coisas para resolver, e que Portugal tem não apenas a capacidade, mas a obrigação de fazer muito melhor em muitas áreas – as nossas empresas deviam ser mais competitivas, devíamos apostar em setores de alto valor acrescentado, em indústria, em manter os nossos melhores talentos por cá. Devíamos exigir melhor Saúde, melhor Educação, mais igualdade no acesso a serviços e a oportunidades. Mas o facto de haver caminho por fazer não significa que não tenham sido dados passos.E a verdade é que temos empresas que continuam, todos os dias, a faturar muito dinheiro, e a desenvolver a economia nacional, levando o nome de Portugal mais longe; a verdade é que temos atores, músicos, artistas a ganhar palco mundial; a verdade é que temos serviços que funcionam, médicos que salvam vidas, professores que garantem que temos pessoas bem formadas em cargos relevantes em muitas empresas por esse mundo fora.Por isso, nesta semana chuvosa que ainda agora começou, fica o convite para olharmos para o tanto de positivo que também vem deste pequeno país da Europa. Ainda há muita coisa para fazer, mas se olharmos também para aquilo que Portugal é hoje, comparativamente ao que era há 50 anos, talvez encontremos alguma luz no caminho. E percebamos que há palavras que fazem menos sentido do que aquilo que nos querem fazer crer: porque Portugal não são apenas problemas. As coisas boas ainda suplantam, largamente, as más. Não fora isso, e não teríamos metade do mundo a vir para cá viver. Editora-executiva do Diário de Notícias