Graças a Deus a culpa é minha!

É tempo de assumirmos a nossa responsabilidade.

Cada ano que passa vamos assistindo a um maior fosso entre as lideranças políticas do país e os cidadãos.

A mais evidente prova dessa separação está à vista no constante aumento da abstenção nas eleições, uma tendência que prevalece sem retorno.

É claro que o mais fácil é pôr as culpas naqueles que ocupam esses lugares de chefia e dizer que são incompetentes. É a solução mais simples, que resolve a minha consciência e absolve a minha culpa, mas não muda nada e nada soluciona.

O comum dos cidadãos vê nos líderes e na atividade política uma espécie de lepra da qual quer distância e que lhe dá repulsa. Tratamo-los por "eles", os que assumem essa função e sempre calculamos que só lá estão porque querem tirar benefícios por isso.

É esse o nosso erro e é essa a razão pela qual estamos cada vez mais desmoralizados com o caminho do país.

Mas, graças a Deus, a culpa também é minha!

Costumo dizer que só quando tenho eu a culpa é que posso mudar aquilo que está errado. Quando não sou responsável, dependo dos outros e nada posso fazer.

A verdade é que o nosso país e o sistema democrático em que vivemos está a ser condenado por não assumirmos a nossa responsabilidade de cuidar dele.

Viver numa democracia, sistema em que todos temos a capacidade de decidir sobre o nosso futuro, em que não nos colocamos nas mãos de um, ou de poucos, para que decidam por nós, significa que temos de assumir a responsabilidade de cuidar do país e da sua condução para garantir que vamos para onde queremos e conseguimos aquilo que pretendemos.

Isso significa também pensar no modelo de sociedade que desejamos, de nos batermos por essas ideias e de trabalhar para a comunidade, de modo a ajudar a construir esse modelo.

Em concreto, significa ter um comportamento cívico participativo, assumir as responsabilidades e poder dizer: eu também tenho a culpa e, por isso, posso mudar!

Para isso é fundamental aumentar a educação cívica da nossa juventude, criar na sua educação uma perspetiva de responsabilidade, não só pela sua vida como pelo desenvolvimento da sociedade em que vivem. Compreender que ser político não significa ter vantagens, mas sim ter responsabilidades, e que todos somos chamados a assumi-las.

Implica respeitar aqueles que nos educam para que possamos aprender mais e melhor.

Mas, acima de tudo, sermos capazes de voltar a ser responsáveis pela vida deste país - e não a entregar-nos nas mãos de uns quantos para que decidam por nós.

A perda da democracia não resulta de haver correntes políticas que propõem regimes totalitários, mas da desistência de um povo de trabalhar e cuidar da sua democracia.

A escolha de soluções de lideranças paternalistas advém da frustração da forma como funciona, ou não funciona, a democracia e isso é da responsabilidade de cada um de nós.

Estamos a chegar a um ponto de saturação já muito avançado, o que se manifesta no extremar das soluções políticas que têm surgido ao longo dos anos. Ainda estamos a tempo de retomar o nosso caminho e de não perder a liberdade de decidir.

Mas para inverter esse caminho temos de compreender que temos a responsabilidade e o poder de o fazer. Temos de ter a vontade e o querer. Temos de assumir o trabalho de cuidar.

Para isso tenho de ter a consciência de que a culpa também é minha e por isso posso mudar!

bruno.bobone.dn@gmail.com

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