Fracas figuras fazem fraca a forte gente

Começou a campanha para as eleições no Brasil. Os dois principais candidatos que se apresentam são dois extremistas que congregam a maioria dos votos de toda uma população.

Duas pessoas que têm uma história pouco recomendável de influências, crimes de corrupção, utilização de métodos inaceitáveis para conseguirem os seus resultados.

O mesmo já assistimos noutras situações, em países maiores e mais pequenos.

Nos Estados Unidos, a escolha entre Trump e Clinton era uma escolha semelhante.

Por toda a América Latina vamos assistindo a casos parecidos.

Na Europa, a qualidade das soluções que se apresentam são também marcadas por personagens pouco qualificadas e, principalmente, pessoas que não inspiram a confiança de serem razoáveis nas suas decisões.

Pessoas que misturam os seus interesses individuais com a responsabilidade dos países que pretendem governar.

Pessoas que, em muitos casos, poucos de nós estariam disponíveis para convidar para nossas casas.

Em África, também assistimos a uma deterioração das condições e mesmo um país como a África do Sul, em que Mandela nos deixou um extraordinário exemplo do que é servir um povo e um país, assistimos a uma degradação das soluções de liderança.

Na Ásia a situação também não nos traz grande esperança quando assistimos a um retrocesso num processo de abertura que se viveu na China durante as últimas décadas, ao populismo musculado de Modi na Índia, ou às convulsões no Sri Lanka.

Mas não são estas pessoas que me importa criticar, pois elas apenas estão aqui porque a sociedade, na sua evolução, lhes deu esta oportunidade.

Aquilo que preciso compreender é a causa de termos chegado aqui.

Depois da última guerra mundial, as elites governativas foram de uma grande qualidade e, por isso, assistimos a um desenvolvimento mundial tão significativo e que nos conduziu a um nível de vida em que cada vez mais pessoas viviam melhor e em que cada vez mais países instauravam regimes em que se vivia com maior liberdade.

Desde há algum tempo, as desigualdades económicas e sociais aumentaram e a qualidade dos governantes piorou e o futuro poderá trazer novos conflitos e generalizados.

O extremar das soluções leva a criar ódios, a falta de qualidade dos dirigentes leva-os a tomar decisões baseadas em sondagens de opinião, que são sempre imediatistas, que comprometem a vida futura dos países e das populações e a falta de valores essenciais leva à própria destruição da sociedade.

Contra tudo isto costuma estar sempre uma maioria silenciosa que não se manifesta, mas que sofre com estas situações.

Uma maioria de pessoas que se envolve apenas no seu dia a dia e que se deixa governar por aqueles que se apresentam com a ambição de conduzir os seus destinos.

Uma maioria silenciosa que um dia vai despertar e que com a sua enorme força determinará que tudo isto mude.

Nessa altura, a mudança será mais para contrariar o status quo do que por verdadeira convicção alternativa.

E isso levar-nos-á a uma situação que tanto poderá ser de retorno ao bem comum, como de assumir um caminho que nos levará a um caos.

A fraca liderança promove a guerra, a falta de valores promove o caos e a falta de qualidade promove permissividade.

Todas estas juntas destroem a sociedade.

Que pena a maioria silenciosa continuar adormecida.


bruno.bobone.dn@gmail.com

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