Euro: 20 anos depois

A 1 de janeiro de 2002, 308 milhões de habitantes de 12 Estados membros da União Europeia passaram a utilizar uma moeda comum, o euro, naquela que foi a maior transição monetária da história. Hoje são já 19 Estados membros e vários outros estão no processo de adesão.

Partilhar uma moeda não é apenas uma decisão simbólica, mas um dos mais poderosos instrumentos de integração.

Não apenas a integração económica é aprofundada, como tem consequências políticas profundas, da qual a abdicação da soberania monetária é claramente a mais significativa, com a perda da capacidade de emitir moeda ou controlar a taxa de câmbio.

Quando se celebram 20 anos de circulação do euro, justifica-se então fazer um balanço da opção política então tomada em Portugal.

Essa avaliação não pode, porém, ser desligada de dois outros fenómenos que afetaram profundamente a nossa economia no início do século XXI: a entrada da China na Organização Mundial do Comércio e o grande alargamento da União Europeia ao leste, em 2004, quando dez países e 75 milhões de pessoas aderiram à União.

Estes acontecimentos criaram uma enorme pressão sobre a economia portuguesa, sobretudo no nosso setor industrial, caracterizado pelo baixo desenvolvimento tecnológico e o recurso à mão-de-obra intensiva e pouco qualificada.

Juntou-se a isto um terceiro choque, o euro, cujo mau desenho inicial prejudicou as economias mais fracas em benefício das mais fortes.

Significa isto que estaríamos melhor se não tivéssemos entrado? Não. Estaríamos melhor com uma melhor arquitetura do euro mas, com a realidade então existente, foi seguramente melhor estar dentro do que fora.

Porque se é fácil (e sempre mais popular) apontar o que correu mal, não devemos esquecer todos os benefícios.

Não podemos ignorar, por exemplo, como a baixa acentuada nas taxas de juro permitiu às empresas modernizarem-se e não sucumbirem à nova concorrência internacional ou como as famílias pagavam taxas de 10% no crédito à habitação pouco antes da introdução do Euro nos mercados financeiros. Juntemos o crescimento em torno dos 200% do comércio de bens e serviços entre os países que aderiram à moeda única e as suas consequências no crescimento económico de Portugal. Começamos, assim, a ter um retrato mais favorável da adesão.

O balanço é, portanto, positivo. E só não é mais porque o euro é um processo incompleto.

Importa então, na política nacional e europeia, concentrarmo-nos no que falta ser feito.

Porque continua a faltar um orçamento comum à zona euro, imprescindível em qualquer área monetária. Um instrumento permanente, inspirado na arquitetura do mecanismo de recuperação e resiliência, para responder à instabilidade das crises económicas.

Porque precisamos de rever as regras orçamentais, adaptando-as tanto à nova realidade orçamental pós-pandemia, com objetivos realistas de redução da dívida, que permita aos países apoiar a recuperação económica e investir no combate às alterações climáticas.

Porque temos de concluir a União Bancária, para limitar os riscos do setor financeiro em toda a zona euro e reduzir as desigualdades no acesso ao financiamento entre os diferentes países.

Que os próximos 20 anos acentuem a face boa desta moeda.

5 VALORES
Votação dos emigrantes

Só com uma enorme humildade democrática podemos abordar este terrível falhanço. Todos são responsáveis por encontrar, rapidamente, soluções para que os nossos emigrantes possam continuar a contribuir ativamente
para a nossa democracia.

Eurodeputado

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