Escudo político

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Parece-nos evidente que a prestação da ex-Ministra da Administração Interna teve as suas nuances - porventura, pecou por não ter tido a sensibilidade necessária para perceber a realidade, descurando inclusive os processos que acompanhou como Provedora de Justiça e que, na altura, apontou criticamente no que diz respeito a algumas práticas do governo de então, como pecou pela impreparação para a função.

Mas tenho dito de forma reiterada - e assumo - que a responsabilidade do atual estado da situação no Ministério da Administração Interna (MAI) e na PSP não pode recair apenas na ex- Ministra. Tem de ser alargada ao Governo e ao seu líder, porque as decisões políticas, as opções e a estratégia são definidas pelo Primeiro-Ministro, tantas vezes condicionado pelo Ministério das Finanças.

É claro e percetível que o recurso a ministros para escudar o Primeiro-Ministro pode ser inteligente e útil para este, mas é mau, irresponsável e penoso para aqueles a quem a ação política deve servir: o povo.

No caso do MAI, as escolhas para a pasta refletem bem essa estratégia, com proveitos políticos para o líder do governo, mas que têm vindo a deteriorar instituições com honra, história e nobreza. Aliás, têm vindo a tratar profissionais de excelência como meros números, com todas as consequências que daí decorrem.

A prestação da ex-Ministra foi pobre, mas a prestação do Governo, no seu todo, é também redutora. Não só não respeita a condição policial e regula carreiras especiais como se de gerais se tratassem, como não analisa devidamente o atual estado das coisas e projeta a resolução dos problemas para o futuro.

Para além de todos estes erros, o Governo não cumpre os acordos que assina. Isso não honra um executivo, não legitima a ação governativa e não contribui para a estabilidade, o equilíbrio e o bom funcionamento das instituições.

Faltou muito à Ministra para o devido desempenho na pasta da Administração Interna, mas falta, principalmente, responsabilidade a quem a escolheu. Mais do que tudo, falta verticalidade a quem não cumpre os seus compromissos. O Governo.

As consequências desta falha coletiva transcendem os profissionais - a população acaba por sofrer também o impacto desta responsabilidade partilhada.

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