Eleições em Israel em 2021

É uma loucura fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente." Este é um ditado famoso de Albert Einstein (se for verdade), que acabou de ser comprovado pelos eleitores israelitas. O resultado das quartas eleições realizadas em Israel em menos de dois anos não trouxe nada de dramaticamente novo para ninguém. Parece que a situação política pós-eleitoral é ainda pior.

De acordo com os resultados publicados, o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, juntamente com os seus aliados mais próximos, obteve 52 dos 120 assentos no Knesset israelita. Os seus opositores, que lutam para o tirar do poder, conseguiram 57. Existem apenas dois partidos no meio que não declararam a sua posição nas próximas negociações sobre a possível coligação, não se comprometendo com nenhum dos lados. Há o partido de direita Yamina ("Direita"), do ex-ministro Naftali Benet, com sete lugares, e o partido do árabe israelita Mansour Abbas, denominado Lista Árabe Unida ("Ra`am"), com quatro lugares. Teoricamente falando, o bloco de Netanyahu poderia potencialmente incluir na coligação o partido Yamina e garantir que a lista dos Árabes Unidos lhe dê apoio fora do governo. Dessa forma, ele teria 63 deputados e a maioria no Knesset. Mas esta é apenas uma teoria.

Portanto, do lado direito da cena política israelita existe um grupo de partidos ligados basicamente à mesma ideologia. Eles são estáveis ​na opinião pública e o primeiro-ministro Netanyahu tem apoio de um quarto do eleitorado do país. Ele é o único líder dos "tempos antigos", e as pessoas ligam o sucesso da vacinação diretamente a ele e continuarão a votar nele independentemente de qualquer outra coisa. Mas Netanyahu representa a continuação do julgamento por corrupção, e isso não vai ser fácil para o primeiro-ministro em exercício do país.

Assim, do outro lado há um grupo de partidos políticos que se lhe opõe e pede a sua renúncia por causa do julgamento, mas há um problema sério na oposição: aquele grupo de partidos está unido apenas por aquele elemento, a oposição à pessoa de Netanyahu, e nada mais. Existem partidos de esquerda, dois partidos de direita liderados por ex-associados seus e um partido árabe. É extremamente difícil esperar que eles possam cooperar no mesmo governo, que se basearia apenas em impedir a permanência de Netanyahu na política.

Depois, há dois partidos que não dizem qual é a sua posição sobre a cooperação com Netanyahu antes de falarem com todos. Um é o partido de direita de Naftali Benet e a Lista Árabe Unida, de Mansour Abbas. Eles estão a deixar deliberadamente algum espaço para falar com os dois lados, a fim de maximizar a sua posição no Knesset.

Então, quais são as opções de Netanyahu agora?

1. Ele poderia formar governo com o Likud e outros partidos da coligação que sempre o acompanham (52​assentos parlamentares) e atrair Naftali Benet e o seu partido Yamina para se juntar a ele (sete assentos). Teria ainda de encontrar uma maneira de obter o apoio da Lista Árabe Unida (quatro assentos) fora do governo, e então teria a maioria. O problema é que, politicamente, seria o primeiro governo israelita da história daquele país que dependeria de um apoio árabe para governar e, para mais, seria um governo de direita. É muito difícil imaginar que esse tipo de solução seja estável.

2. Benjamin Netanyahu poderia deixar a liderança do Likud e deixar outra pessoa ser primeiro-ministro. Dessa forma, o Likud teria mais dois ou três partidos do seu lado e o governo ficaria estável. O problema é que Netanyahu teria de enfrentar o seu julgamento por corrupção muito mais enfraquecido, não como primeiro-ministro, e a sua carreira política estaria provavelmente terminada. Não é provável que ele concorde com isso, pelo menos não por agora.

3. Netanyahu poderia começar a procurar, de forma muito agressiva, pelo menos dois membros eleitos do Knesset que agora pertencem aos partidos que rejeitam cooperar com ele, para que mudassem de equipa. Eles poderiam teoricamente vir do partido Nova Esperança, de Gideon Saar, ou de Israel, Nosso Lar, de Avigdor Lieberman, que também estiveram no Likud antes.

4. Todos os partidos da oposição poderiam unir-se e formar governo, o que enviaria Netanyahu para a oposição no Knesset. Muito improvável, novamente por causa das diferenças ideológicas irreconciliáveis. Mesmo que concordassem em dar início a esse cenário, este não poderia durar muito, e o país não verá nenhuma estabilidade política com ele.

5. A última opção é não formar governo e ir para as quintas eleições em dois anos. É difícil imaginar que qualquer político sério em Israel pudesse ter esperança de se sair melhor nas novas eleições, voltando ao famoso ditado do início deste artigo.

Benjamin Netanyahu receberá o mandato para formar governo do Presidente de Israel, Reuven Rivlin, como líder do partido com maior número de assentos no novo Knesset (30). Ele terá quatro semanas para formar a coligação e, se a solicitar, uma extensão adicional de duas semanas.

O resultado das negociações não pode ser previsto, mas é óbvio que, após quatro eleições, a confiança entre os potenciais parceiros no futuro governo não pode ser elevada. Além disso, o facto de o atual primeiro-ministro estar envolvido no julgamento de corrupção é importante. Ele tem alguns problemas graves pela frente que podem influenciar qualquer uma das suas decisões futuras.

Existem muitas perguntas sem resposta, pelo menos por enquanto.

Investigador do ISCTE-IUL e antigo embaixador da Sérvia em Portugal

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