Só uma certeza: o Brasil é grande

Michael Reid, que é colunista da The Economist e foi correspondente da revista britânica no Brasil, tem um novo livro, recém-publicado em Portugal. Brasil - A Esperança e a Deceção é o título. E resume bem não só os anos recentes como o que tem sido a história do país. Não por acaso, Fernando Henrique Cardoso, que é sociólogo e foi presidente da República, disse uma vez que se havia um padrão brasileiro era o de "primeiro a esperança, depois a desilusão".

Vale a pena falar de Fernando Henrique Cardoso, o social-democrata que antecedeu Lula da Silva. Hoje é reconhecido o seu papel-chave na estabilização da economia brasileira, pondo fim ao mal crónico da inflação. Depois, Lula, o metalúrgico que chegou a presidente à quarta tentativa, teve o mérito de não pôr em causa os alicerces económicos em nome da revolução, mas antes aproveitar a crescente riqueza para tirar milhões e milhões da pobreza através de políticas sociais como o Fome Zero.

No último ano de Lula presidente, o Brasil cresceu 7,5%. Com a sucessora Dilma veio a desaceleração, primeiro, e a recessão, depois. A crise económica e a crise política, com o caos que hoje se testemunha e que não faz nada bem à imagem do país.

Mas o Brasil é o quinto maior país do mundo, o quinto mais populoso também e não deixa de ser a sétima maior economia. Quando se é grande - e sê-lo hoje é mérito de D. Pedro I porque o Império impediu o estilhaçar à maneira da América espanhola - tudo é possível, até uns Jogos Olímpicos de sucesso. A mesma The Economist em que Reid escreve fez um dia uma capa com o Cristo Redentor a descolar. Depois outra como se o lançamento tivesse falhado. Não surpreenderá se um dia voltar ao tema e festejando o êxito brasileiro.

Mas se o país é grande, e o povo também, já a classe política brasileira tem de provar que não é o bando de corruptos que toda a gente diz em tom de conversa de café. É uma generalização e, como tal, injusta, mas cabe aos melhores mostrarem que o Brasil é mesmo um país de futuro, como já notara o austríaco Stefan Zweig. Como português, torço para que aconteça

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG