Os jobs e os boys

Feitas as contas, o atual governo, até agora, nomeou menos do que os anteriores em igual período de tempo. Não que a pulsão de ocupar os postos disponibilizados pelo aparelho de Estado tenha diminuído - se há coisa que sabemos de ciência certa é que tanto o PS como o PSD se alimentam, entre outras coisas, da distribuição de lugares - mas porque, no entretanto, criou--se uma entidade, a CRESAP, que, mal ou bem, tem limitado a falta de pudor dos partidos e introduzido alguma moralização nos critérios de nomeação para a administração pública. A história que hoje faz manchete no DN é, apesar de circunscrita aos centros de emprego e estruturas regionais da Segurança Social, uma espécie de déjà-vu. Na verdade, se olharmos para o Diário da República nos meses que se seguem às mudanças de governo verificamos que a dança de cadeiras nos mais diversos patamares do Estado é um clássico de início e fim de legislatura. Podemos ter uma visão benigna deste quadro. Por exemplo, se a ideia for mudar o chip dos serviços públicos para implementar políticas mais amigas do emprego e do investimento público e, para isso, há que substituir quem está formatado para uma gestão mais austeritária do dia-a-dia, é compreensível que se mude. Mas, regra geral, não é este o motivo. Do que se trata, quase sempre, é de substituir pessoal político que tem cartão partidário de uma cor por quem tenha outro de cor diferente. E isso a CRESAP não conseguiu mudar. Uma coisa é ter gente de confiança em lugares estritamente políticos, outra coisa é alargar o critério partidário a quase todos os domínios da administração pública. E enquanto os critérios de nomeação não forem exclusivamente os do mérito e os da qualificação, os contribuintes vão continuar a olhar para os funcionários públicos com desconfiança e desconsideração, tantas vezes - a maioria delas - injustificadas. E, deste modo, continuaremos a ouvir falar de jobs for the boys.

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