O que resta

Os atentados que rebentaram na Europa, sobretudo no último ano, deixaram marcas profundas e não apenas nos europeus. E, por muito que nos custe admitir, a verdade é que esses ataques, levados a cabo com o objetivo de espalhar o medo, alteraram hábitos de vida. França persiste ainda como o primeiro destino turístico do mundo (85 milhões de estrangeiros no ano passado, bem à frente dos 78 milhões dos Estados Unidos), mas muitos dos que assistiram - ainda que à distância - ao terror do Bataclan, ao ataque em Nice e à degolação de um padre na Normandia estão a ceder ao medo. E a cada novo ato terrorista - em França, na Bélgica, mas também na Turquia -, mais pessoas, nascidas na Europa ou fora dela, se juntam ao grupo dos que acreditam que a melhor forma de evitar o perigo é manter-se longe dos que são alvos comprovados dos terroristas. O número de voos marcados por estrangeiros para França, para os meses de agosto e setembro, por exemplo, afundaram 20% relativamente ao ano passado; as noites reservadas em hotéis de janeiro a junho caíram 10%. E a tendência é de que se continue a perder clientes. Não é um exclusivo de França. Mas o sentimento de insegurança relativamente aos países onde o Estado Islâmico tem deixado as suas marcas e uma dose de receio irracional em relação a qualquer nação onde os muçulmanos vivam em maioria está a levar muitos turistas a preferir destinos em que acreditam haver menos riscos. Como Portugal, Espanha ou Itália - que têm visto o número de turistas subir também por este amargo motivo. O que a Europa ainda não entendeu é que não basta fugir de um lado para o outro. Há uma ameaça que se estende sobre todos os europeus, independentemente do país onde vivem. Materializou-se apenas em alguns, mas o risco de vir a acontecer em qualquer um dos outros é real. Terroristas declararam guerra à Europa. A toda a Europa. E a única maneira de os derrotarmos é combatendo-os em conjunto. Antes que não restem refúgios.

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