Dores de crescimento

Para chegar ao cenário traçado no Orçamento de 2016, Portugal terá de evoluir ao ritmo de 2000 até dezembro. Não é pessimismo, são contas relativamente simples que revelam que é preciso o país avançar a um ritmo de 2,8% no segundo semestre para conseguir um crescimento de 1,8% no final do ano e ver o défice baixar para 2,2%, conforme o governo prometeu aos portugueses e a Bruxelas que seria possível. António Costa e Mário Centeno continuam a acreditar nesta premissa. Confirmaram-no depois do cenário negro pintado por Passos Coelho na festa do Pontal e depois de terem sido conhecidos os números da execução orçamental do primeiro semestre. O governo mantém confiança total no cenário que suporta o OE 2016, apesar de o INE mostrar que o impulso dado pelo consumo interno - que o governo quis relançar à custa da subida do salário mínimo e da reversão de impostos - está a abrandar significativamente. Continua a acreditar, ainda que o investimento esteja a evoluir mais lentamente (de 13% até março caiu para metade nos três meses seguintes). Mantém-se convicto, mesmo que o rating do país continue pressionado e que a DBRS - única agência que mantém Portugal acima da linha de água, garantia para o país continuar a beneficiar dos programas de compra de dívida do BCE - esteja preocupada com o trajeto da economia portuguesa. Costa e Centeno mantêm-se inabaláveis, apesar de o crédito malparado continuar a penalizar o balanço dos bancos, de as empresas não conseguirem desalavancar-se e tornar mais saudáveis os seus negócios, de o desemprego estar em níveis extraordinariamente baixos (10,8%), mas isso acontecer muito à custa de sazonalidade e precariedade. A verdade é que o cenário não é tão negro como o pinta a oposição. Ainda é possível recuperar o rumo, mas para isso não basta ser otimista. É preciso, por exemplo, que os fundos comunitários sejam usados com eficácia para dar ao país e às empresas o fôlego de que tanto precisamos. Mas também que as condições externas - há uma boa fatia de tudo isto que tem que ver não com opções internas mas com o enquadramento europeu mais difícil desde que existe União Europeia - ajudem. Ainda há um longo caminho a percorrer para assegurar que Portugal volta ao rumo do crescimento.

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