Corporações

O ministro da Educação vai sujeitar o seu desempenho e as opções políticas tomadas à avaliação trimestral dos sindicatos. No plano teórico, podemos achar que esta é uma situação natural e até que é da esfera das corporações monitorizarem as decisões que têm impacto nos seus setores de atividade. Mas imaginemos que todos os ministros, doravante, decidiam submeter-se à apreciação das organizações profissionais e faziam depender as suas decisões da caução dos dirigentes sindicais. Com todo o respeito pelos sindicatos, indispensáveis à defesa dos direitos dos trabalhadores, nenhum país é governável se ficar nas mãos dos interesses corporativos. O que seria da Justiça se a ministra não desse um passo sem antes consultar juízes, procuradores e funcionários judiciais? E da segurança interna se as polícias ou os bombeiros tivessem de ser tidos e achados para tudo? Ou da saúde se por cada trimestre o ministro tivesse de passar no crivo de médicos e enfermeiros que nem sempre têm interesses convergentes. Isto para não falar dos transportes, da agricultura, da defesa nacional, da cultura ou até da economia e das finanças. O diálogo, por desejável e salutar que seja, não pode ser fator de entropia e causa de paralisia. Um ministro, seja ele qual for, e que se exige competente, existe para tomar decisões em nome do interesse geral e não das conveniências particulares de cada corporação. No caso dos professores, por exemplo, há uma coisa que sabemos de ciência quase certa: conhecida que é a alergia de Mário Nogueira aos processos de avaliação dos docentes, podem os professores ficar tranquilos, que estes dificilmente sairão da gaveta. Mas o pior é que esta metodologia de "compra da paz social" torna o ministro da Educação, ou qualquer outro que assim decida agir, refém dos sindicatos. E, neste caso, faz do secretário-geral da Fenprof uma espécie de ministro-sombra que ninguém, além dos sócios do sindicato, elegeu para a função.

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