É tempo de olhar para o impacto das taxas variáveis nos créditos à habitação

As notícias sobre a variação das taxas de juro já não são animadoras e tendem a tornar-se mais preocupantes para os portugueses que têm crédito à habitação com taxa de juro variável. As taxas Euribor devem continuar a subir, como consequência da inflação, e os peritos antecipam que o que se esperava ser uma situação financeira transitória será algo mais duradouro e com maior impacto para o orçamento mensal dos consumidores.

Entre o panorama atual e os vários anos de spreads altos, que chegaram aos 6%, existem bancos que oferecem hoje condições mais competitivas a quem contrata um crédito à habitação, o que gera uma expectativa positiva para todos os que pensem em transferir o empréstimo de crédito à habitação atual para um banco diferente.

Olhando para o mercado, existem já relatos de analistas financeiros que antecipam subidas das taxas de juro nos próximos meses, o que pode gerar um aumento relativamente fácil das Euribor em um ponto percentual em relação ao valor de 2021. Esta situação traduz-se em créditos à habitação 1% mais caros, com impacto óbvio na prestação mensal a suportar pelos consumidores. Todos os que se encontram nesta circunstância poderão perguntar-se de imediato: quanto nos custará a subida destas taxas?

O valor exacto depende das condições contratuais do crédito à habitação, nomeadamente o valor em falta, o número de anos acordado e a modalidade da taxa de juro aplicável. Para os que optaram pela taxa variável - uma realidade maioritária em Portugal -, a taxa de juro soma uma taxa Euribor e o spread cobrado pelo banco, o que torna todo este contexto global numa preocupação real e atual para inúmeras famílias.

Numa altura em que muitas famílias atravessam grandes dificuldades para fazer face às despesas mensais com empréstimos bancários, transferir o crédito à habitação para um banco com uma proposta mais competitiva pode representar uma poupança relevante. Por cada 0,1% a menos no spread, é possível poupar anualmente 1 euro por cada 1000 transferidos. Isso significa que uma transferência de um empréstimo de 100 mil euros com uma redução de 1% no spread representa uma poupança anual de 1000 euros.

Em termos mais práticos, se um consumidor tiver pedido um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos estaria a pagar uma prestação média atual com Euribor a -0,3% na ordem dos 462,07 euros. Num cenário com Euribor a 0%, o valor aumentaria para 482,46 euros. Com as Euribor a 1%, este montante sobe para os 554,43 euros mensais - o que representa quase cem euros a mais todos os meses.

Para quem pediu 200 mil euros ao seu banco a 30 anos, os valores também aumentam. Com Euribor a -0,3% a prestação média atual situa-se nos 616,09 euros - valor que aumenta para 643,28 euros com Euribor a 0% e que sobe para 739,24 euros no caso das Euribor estarem a 1%.

O impacto é real e bastante considerável, o que levará os consumidores a avaliar a oferta de outros bancos e os benefícios em mudar para outras soluções. A título de exemplo poderá estar a mudança do seguro de vida, associado ao crédito à habitação ou a mudança do crédito propriamente dito.

Em qualquer um dos cenários, avizinham-se tempos mais complicados pelo que importa sensibilizar os consumidores para a necessidade de se fazerem contas e de se avaliar o impacto de todo o contexto no orçamento familiar, especialmente no que à casa diz respeito.

Responsável pelas Relações Institucionais da DECO PROTESTE

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