Domingos Simões Pereira (DSP) terminou o mais recente cativeiro de, salvo erro, 66 dias, na passada sexta. Os mesmos dias desde o golpe do 26 de novembro, que interrompeu o processo eleitoral 2025 na Guiné-Bissau (GB), com presidenciais de ruptura entre eleitorado e o então presidente (PR) Sissoko Embaló. Quanto a DSP, encontra-se agora em prisão domiciliária.Desde o golpe, o Conselho Nacional de Transição (CNT), liderado pelo general Horta Inta-A Na Man, também PR Interino, aprovou o que podemos chamar “Constituição Sissoko”, acabando com 30 anos de semi-presidencialismo, iniciando este janeiro um “presidencialismo inconstitucional”, pela forma como tudo foi refugado antes das eleições e cozinhado desde o fim de novembro. O CNT também marcou eleições para 6 de dezembro próximo, alterou o nome do Parlamento, caindo o “Popular” e mantendo a Assembleia Nacional.E agora DSP, que fazer?Para já, há eleições marcadas para dezembro, mas desconhece-se se o actual PR do PAIGC, o detido caseiro DSP, poderá concorrer, ser eleito, etc., porque não sabe quanto mais tempo permanecerá neste degredo-de-mancarra, “a manter” à jovem e ligado ao mundo enquanto receptor dos noticiários estrangeiros.Tem ligação importante ao PR do Senegal, Bassirou Diomaye Faye (BDF), mediador/negociador da sua transferência da cela de esquadra, onde permaneceu dois meses, para casa. Este facto é muito importante, porque DSP, bloqueado pelos seus, não será indiferente aos planos de BDF para a nova CEDEAO, a “CEE da África Ocidental”, em desagregação desde 2020.O PR do Senegal, profundamente antifrancês, poderá encontrar um contra-freio no PR do PAIGC, importante torre no xadrez lusófono, e certamente intuindo, como outros portugueses, que a França faz falta, conta e deverá regressar pela porta grande, à África Ocidental. Forma de o fazer, será precisamente através do corrente debate, “e agora, que fazer, ó CEDEAO”?Bloqueado por dentro, DSP poderá crescer ainda mais por fora, caso se engaje activamente no debate sobre como fazer melhor, a partir do que se tem. De momento, já todos identificaram que têm falta de França, o que pode sempre mudar. É aqui que DSP pode fazer a diferença, já que “ser antifrancês em África”, é ser-se anti-português, na medida em que se é anti-colonizador. Bem sei, nunca nos revemos nessa evidência esquecida, de ex-colonizador!Neste contexto, Domingos Simões Pereira, pode ser o lusófono influenciador de um bom senso que falta ao PR senegalês, o de aceitar os constrangimentos do exercício do poder, alguns (os constrangimentos), de séculos e impossíveis de desentranhar! Politólogo/arabista www.maghreb-machrek.ptEscreve de acordo com a antiga ortografia