Disneylândia socialista

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Está a sentir? Cheira a primavera! Os amantes do calor aproveitam os primeiros raios de sol, e os que nunca caminharam mais de 500 metros para comprar um um quilo de arroz foram os primeiros a aproveitar o pretexto do "passeio higiénico" para apanhar ar (confesso que me revejo).

Pois é, o "estado de normalização" e as sucessivas limitações à nossa liberdade são mais fáceis de acatar quando o tempo, lá fora, não convida para uns bons programas ao ar livre. E é precisamente o que estava a acontecer: com o número de infetados a descer drasticamente, e sem que o governo tornasse público o famigerado plano de desconfinamento, as pessoas ficaram sem um horizonte temporal, sem entender para que objetivo estavam a fazer sacrifícios.

Começaram a desobedecer aos olhos de todos, e o governo, já de si desautorizado, apressou-se a apresentar o tal "plano". O "plano" que afinal era já para o dia seguinte, e que, por isso mesmo, podia e devia ter sido dado a conhecer mais cedo. Mas já começamos a ficar habituados: este é o governo que fecha tarde quando tem de fechar mais cedo e que abre cedo de mais quando devia permanecer fechado. Vimos isto a acontecer, sucessivamente, durante o último ano.

Ainda assim - justiça seja feita -, no que respeita ao tal "plano", António Costa foi corajoso, arriscando, pessoalmente, ir mais longe do que o que os especialistas ditavam. E bem precisa a economia...

Só em janeiro passado desaparecerem 79 mil empregos. Leu bem! 14% do total desses empregos pertenciam a jovens. Para que tenha a big picture, o mês de maior destruição de emprego na anterior crise foi em novembro de 2012: 43 mil.

A queda de 7,6% do PIB em 2020 foi maior do que a média europeia (6,2%), mas, pasmem-se, descobrimos que o governo podia ter duplicado os apoios às empresas e às famílias, e, deliberadamente, não o fez. Como? Passo a explicar: as medidas do governo de combate à covid-19 e aos seus efeitos representaram um esforço financeiro com impacto orçamental de 4532 milhões de euros (ME). Destes, 3591 ME foram empregues nas empresas e nas famílias. Parece muito, não é? Mas o governo tinha margem orçamental para gastar mais 3355 ME, mais 93% do que o que efetivamente gastou.

Não deixa de ser irónico que os que hoje poupam na despesa e deixam de ajudar inúmeras famílias e empresas durante a pior crise de que há memória são os mesmos que criticaram as cativações a que o programa de Assistência Económica e Financeira da troika nos forçou.

Já agora, sabia que na anterior legislatura o governo de António Costa congelou mais despesa em três anos do que o governo de Passos Coelho em toda a legislatura? Dá que pensar.

Imaginando eu que finalmente o governo tinha acordado para a crítica situação das empresas (e não só para a TAP), vi o ministro da Economia, Siza Vieira, anunciar um reforço aos apoios já existentes. Bem! Contudo, não deixo de constatar que uma boa parte desses apoios consiste em adiar o pagamento de impostos. E por pouco tempo!

Vejamos: a maior parte dos impostos pagos pelas empresas pressupõem faturação e lucro. Ora, os setores de atividade mais afetados pela pandemia, a quem os apoios mormente se dirigem, estão absolutamente imobilizados. Isto é, não faturam, não investem e muito menos geram lucros! Ou seja, o governo não está a fazer nenhum favor às empresas.

Dissecando isto, dos 7000 ME anunciados como sendo apoios do Estado, 6000 ME é quanto o Estado vai receber mais tarde em impostos que agora adiou (se, entretanto, as empresas sobreviverem para os pagar) e não necessariamente dinheiro que o Estado injeta nas empresas.

Ora, desmontada esta disneylândia socialista, começamos todos a ficar cansados deste governo marketeer que está mais preocupado em anunciar coisas que não existem, em ludibriar, do que em garantir um futuro de prosperidade para o país.


Deputada do PSD

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