Dignidade e impunidade

Os professores são o garante do futuro de uma sociedade. Como tal devem ser olhados como exemplo e ser respeitados como o garante da sua evolução e do seu crescimento.

Os professores mais importantes são, ao contrário daquilo que se possa pensar numa primeira análise, os professores primários.

São aqueles que maior impressão criam no desenvolvimento de uma criança, porque atuam num período de grande capacidade de absorção e no momento em que se forma o caráter da pessoa que será no seu futuro.

Mas também os professores dos seguintes níveis de ensino têm essa enorme importância para a estruturação da sociedade.

Para além de ensinarem a ciência, a língua, a filosofia e a matemática, são também os apuradores da formação de caráter das novas gerações e, mais uma vez, o exemplo a seguir pelos seus alunos.
Os professores universitários, também eles exemplo para a vida profissional dos jovens, são os responsáveis pela formação das competências técnicas e estratégicas que criarão pessoas bem preparadas e comprometidas, que definirão a capacidade de desenvolvimento da sociedade em que se integram.

São definitivamente os professores, aqueles que mais importância têm para determinar o tipo de sociedade que teremos no futuro.

Mal vai a sociedade que desvaloriza esta classe profissional, que não a promove, que não lhe dá o respeito e que não lhe dá as condições de vida dignas, que lhes permitam ter a tranquilidade e a paz para poderem dedicar-se a cuidar daqueles que vão ser o nosso futuro.

A estabilidade é uma primeira condição essencial a essa tranquilidade.

Aquilo a que assistimos anualmente com o concurso de colocação de professores é, no mínimo um espetáculo degradante para uma profissão de tamanha relevância.

Seria um péssimo espetáculo para qualquer profissão, ainda que a mobilidade na vida possa ser algo razoável, a inibição de uma estabilidade de morada para os professores é claramente desestabilizadora, pouco digna e não promove a atração a esta profissão das pessoas que melhor a poderiam desempenhar.

A pobre retribuição que auferem e a falta de respeito a que são sujeitos são outros dois fatores que não estimulam a valorização desta opção profissional.

É claro que, também da parte dos professores, há que exigir comportamentos verdadeiramente exemplares, que possam ser seguidos, e uma responsabilidade compatível com a importância da profissão.

Mas sem condições, pouco se pode exigir e poucos candidatos se podem atrair com as características que precisamos.
Mas há uma estrutura que, na minha opinião, com a imagem de querer defender estes profissionais, é aquela que mais tem contribuído para a sua desconsideração.

A Fenprof precisa absolutamente de uma classe de professores indefesa e maltratada para a sua subsistência.

Precisa que a centralização do poder sobre os professores se mantenha para que se mantenha a sua razão de existir.

Precisa da precariedade e da pouca preparação dos candidatos a professores para que se entreguem a uma estrutura perniciosa, que não os defende, mas que não os deixa morrer à fome.

É a má visão do poder dos sindicatos em Portugal, que em vez de promoverem os seus profissionais e de defenderem as instituições em que estes trabalham, garantindo o seu desenvolvimento e a sua segurança na continuidade, preferem provocar a sua precariedade e a sua dependência para assegurarem a continuidade das estruturas sindicais.

Assim, não.


bruno.bobone.dn@gmail.com

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