Deus, Pátria e Família

No domingo passado soubemos que a Itália escolheu, pela primeira vez, uma senhora para ocupar o lugar de primeiro-ministro.

Também soubemos que ela lidera um partido que a imprensa portuguesa considera retrógrado, xenófobo, homofóbico e, imagine-se, que defende a família e os valores cristãos.

Não deixa de ser curioso que seja este partido a colocar pela primeira vez uma mulher à frente dos destinos do seu país, ao contrário de todos os outros, que, defendendo a igualdade de género, nunca se preocuparam com o género feminino, que agora também pretendem que acabe.

A Senhora Meloni não representará tudo aquilo em que eu acredito e, provavelmente, terá uma visão bastante mais extremada do que eu sobre a sua ideia de sociedade.

Contudo, foi num ambiente de democracia que ela conseguiu a sua eleição e sem obrigar ninguém a votar nos seus ideais.

Como tenho a convicção de que o eleitor pensa com inteligência, fui tentar compreender aquilo que levou a população italiana a mudar o seu sentido de voto.

E vou deixar fora de análise aquilo que se tornou óbvio: quando a esquerda radical esteve no poder foi completamente incapaz de governar o país e colocou-o numa situação dramática.

O que prometeu, então, Meloni que foi tão estimulante para o eleitor mudar o seu sentido de voto?

Em primeiro lugar, falou de uma sociedade em que se voltam a considerar como relevantes todas as instituições que foram a razão de termos chegado a esta sociedade ocidental desenvolvida, respeitadora da vida humana e promotora da democracia.

Promoveu o respeito pela religião cristã, que foi a estrutura filosófica e cultural que serviu de base a uma sociedade de respeito e de igualdade.

Promoveu a família como fonte de organização da sociedade e onde todos podem basear a sua formação e o seu desenvolvimento.

Promoveu o sentido de nação, que foi sempre o maior orgulho de qualquer povo e que estruturou a razão da união entre quantos lá vivem, de forma a fortalecer a sociedade e promover a sua evolução - fator que num país jovem e tão diferenciado ganha ainda maior importância.

Promoveu a defesa da sua condição de mulher, por oposição a uma invenção de uma teoria de género, que em lado algum encontrou fundamento para a sua existência.

Recusou promover as propostas LGBT que nos são hoje impostas como fundamentais à nossa existência, negando a normalidade da situação heterossexual como fator de desenvolvimento da sociedade e da sua consolidação.

Sou, sem qualquer dúvida, tolerante: não é aceitável que alguém seja prejudicado ou considerado diferente pelas suas condições de raça ou opções de vida, sejam elas sexuais ou outras, mas tenho de concordar que me revejo numa sociedade que promova a família, a nação, o Homem e a Mulher, que defenda os valores cristãos, que mais não são que os valores da pessoa humana.

Penso que os eleitores italianos optaram por experimentar retomar esta normalidade na sua vida e penso também que eu próprio gostaria que, no meu país, houvesse quem, sem estar associado a uma direita mais radical, fosse capaz de me oferecer uma oportunidade para que eu vote a favor de uma sociedade que se baseie naquilo em que eu acredito.

bruno.bobone.dn@gmail.com

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