Numa sociedade virada para o futuro, a função objectivo empresarial deve ser a maximização do lucro sujeita a uma restrição, a saber, a satisfação das funções objectivo dos diversos stakeholders.Mas, para a compreensão dos problemas que se colocam na articulação das funções objectivo dos stakeholders importa ter em conta não apenas os gestores, como também os investidores, os clientes, os trabalhadores, os fornecedores e o Estado.No que se refere aos gestores, importa começar por referir a nova tecno-estrutura emergente com um perfil de risk lover, a qual tem uma função objectivo de maximização do lucro a curto prazo, podendo, para o efeito, recorrer à alavancagem, adoptando uma estratégia de “crescimento exógeno”.Tal resulta do facto deste tipo de gestores pretender a obtenção de elevados salários e de prémios significativos no curto prazo, a par de um grande protagonismo, acompanhado de projeção social e do exercício de uma crescente influência nos centros de decisão.Os bons resultados empresariais deveriam estar associados a uma “imagem de sucesso” dos responsáveis pela gestão.Com um perfil muito diferente deverão ser considerados os gestores convencionais (risk averters), os quais preferem optar por uma função objectivo de maximização do lucro ao longo do tempo de vida esperada do projecto em que estão envolvidos. Os gestores convencionais não vão recorrer, de forma sistemática, à alavancagem, antes preferindo a adopção de uma estratégia de crescimento endógeno, i.e., com recurso à mobilização de capitais próprios.Trata-se de uma estratégia que, em princípio, envolve menor risco, apresentando-se mais gradualista e, por isso mesmo, mais lenta no que se refere à obtenção de objectivos de expansão da actividade produtiva e de incremento das quotas de mercado.Também importará distinguir os investidores risk lovers dos investidores convencionais. Os primeiros adoptam uma função objectivo de maximização do lucro a curto prazo, tendo tropismo para se aliarem aos yuppies, apostando na obtenção de um rápido leverage em relação aos activos financeiros em que investiram. Os segundos manifestam uma clara preferência por uma função objectivo de maximização do lucro ao longo do tempo de vida esperada do projecto, sendo, em regra, aliados dos gestores convencionais.Já no concernente aos clientes, a função objectivo consiste na maximização da utilidade, sujeita a uma restrição orçamental.Tendo em vista satisfazer esta pretensão dos clientes, a gestão empresarial tende a privilegiar o binómio qualidade-preço, pretendendo-se, simultaneamente, apostar na fidelização dos clientes e, em situações determinadas, numa “estratégia de cerco”.Já no que se refere aos fornecedores, convirá salientar que a respectiva função objectivo consiste na maximização das vendas (maximização dos inputs) e na obtenção de uma crescente fidelização da empresa. Esta última, para além de se preocupar com o binómio qualidade-preço, procurará estar em posição de diversificar a proveniência dos inputs, mantendo graus de liberdade em termos de “escolhas alternativas”.Os trabalhadores têm como função objectivo a maximização do salário (conjunto do salário directo e indirecto), a valorização profissional, a obtenção de Know-How e a estabilidade no emprego. Na perspectiva da empresa, importará não apenas apostar na valorização profissional do trabalhador como, também, na sua produtividade e na sua lealdade à entidade patronal, com o que tal implica em termos de “integração no conjunto empresarial”.Quanto ao Estado, a sua função objectivo reconduz-se, no essencial, à maximização das receitas fiscais e, em alguns casos (dependendo da orientação política do Governo), ao controlo estratégico de sectores tidos como de “interesse nacional” (de acordo com uma concepção mais “intervencionista” do Estado na economia). Já na perspectiva das empresas, importará minimizar os “custos fiscais” (a partir do que se convencionou designar de “planeamento fiscal”), bem como os “custos da burocracia”, definindo-se uma política social adequadamente inserida numa estratégia ESG (Environment, Social and Governance).Em resumo, na gestão empresarial integrada procura-se atender a este conjunto diversificado de funções objectivo, pretendendo-se manter uma situação de equilíbrio estável.Deverá ser esta a nova visão integrada de Gestão Empresarial.Nem mais, nem menos... Economista e professor universitárioEscreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico