Continuar a desconfinar, com novos critérios

A matriz de risco foi algo de enorme importância para prever o desconfinamento. No entanto, essa matriz feita em fevereiro/março, não incluía nessa época, e bem, os vacinados. Portugal tem hoje vacinados a quase totalidade dos maiores de 60 anos, com, pelo menos, uma dose, e penso que, em junho, vão estar todos com as 2 doses. Não sou, nem quero ser, especialista em "matrizes" nem em epidemiologia, mas mais de um ano depois os especialistas da DGS têm de ser capazes de nos "dar" mais do que deram até agora em termos de voltarmos à nossa vida normal. Até aqui a economia esteve, e bem, ao serviço da saúde, é tempo de a saúde estar ao serviço da economia.

Vamos partir a dita matriz, a minha proposta é de ir dividindo os 120 por um fator decrescente em "0,10" por cada faixa etária de dez anos vacinada, dos 90 até aos 60 anos, e depois "0,05" daí para a frente, de igual modo, até à faixa etária de 20 anos. Sendo que o limite inferior seria os "0,4". Assim na "matriz" quando todos estiverem vacinados dividimos os 120 por "0,4", o que dá um valor de 300 por 100 mil habitantes. As contas são fáceis de fazer, "0,1" em cada faixa dos 90 até aos 60, por cada dez anos, e depois os "0,05" dos 50 aos 20 anos, por cada dez anos.

Ao R(t) temos de fazer o mesmo incluindo a taxa de positividade. Ou seja, se o valor definido pela DGS são os 4%, se tivermos menos que isso, tem de ser incluído na mesma proporção. Se os 4% tem um fator de divisão de 1 então, 2% vão ter um fator de divisão de 0,5 etc.

Com estas "alterações" mantemos o espírito da matriz de risco, mas adaptamos os números à nova realidade. Ao mesmo tempo devemos ter em conta aquilo que são os ditos territórios de baixa densidade ou melhor dito, o interior do País. Há uma enorme diferença entre a Chamusca ou Coruche que juntos têm cerca de 30 mil pessoas e cerca de 2 mil km2 e uma freguesia de uma grande cidade com a mesma população, mas com um território 100 vezes menor. Para estes casos as restrições deviam ser cumulativas.

Como disse não sou especialista nem quero ser, mas penso, e como tal aqui fica uma proposta que tem apenas um objetivo, lançar a discussão. Haverá outras? Com toda a certeza que sim, mas façam-nas. Sendo certo que só quem faz pode errar. Algo que os especialistas da DGS têm de perceber. Num mundo perfeito, nas secretárias e nos laboratórios queremos sempre o ótimo, o problema é que no mundo real o ótimo não existe.

A par de tudo isto é tempo de começarem a justificar as suas proibições, ou seja, o é assim porque sim, já não serve. Todos nós, 15 meses depois desta pandemia, queremos mais do que o "porque sim", sem qualquer tipo de justificação científica plausível.

É tempo de sintonizar com a realidade, como temos procurado fazer nas Autarquias Locais, a bem das pessoas, da economia e dos territórios.

Presidente da Câmara Municipal de Almeirim

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