Conselho Mundial da Água reúne em Lisboa

Tem lugar em Lisboa, de 2 a 5 de julho próximos, a convite da APDA, a Reunião de Verão do Board of Governors (Conselho de Governadores) do World Water Council (Conselho Mundial da Água).

É a primeira vez que tal acontece em Portugal, verificando-se após a realização do 9.º Fórum Mundial da Água, em Dakar (21 a 26 e março 2022), uma organização em parceria entre o governo do Senegal e o World Water Council, onde os cerca de 7000 participantes aprovaram a Declaração de Dakar intitulada "Um Desafio Azul para a Segurança Hídrica para a Paz e o Desenvolvimento", focado no cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável n.ºs 6 (água e saneamento para todos), 11 (cidades e comunidades sustentáveis) e 13 (ação climática). Portugal esteve representado pelo Ministério do Ambiente e Ação Climática e outros relevantes stakeholders nacionais.

Esta importante reunião, que distingue o Setor da Água nacional, através da sua organização mais representativa, concorre para colocar o nosso país e a sua capital "nas rotas internacionais e na agenda" dos debates que contam no domínio estratégico em que se tornou a "Gestão da Água".

Ocorre num momento particularmente sensível, dada a prevalência de secas e escassez de água, que ameaçam tornar-se sistémicas, devido aos efeitos das "alterações climáticas" que já afetam também, de forma evidente, o Sul da Europa e a Bacia do Mediterrâneo, onde nos situamos, como esclarecem os mais recentes "Relatórios" das Nações Unidas (COP 26 em Glasgow) e do IPCC.*

Reforça também a convicção de que esta emergência quanto às disponibilidades de recursos hídricos e sua gestão justa e sustentável afirma-se como um dos mais sérios problemas políticos para as próximas décadas, ombreando com as grandes "mudanças globais" que defrontamos, o que implica a definição e promoção de uma nova geopolítica para a água, entendida como segurança hídrica, num contexto de ameaças sobre a segurança global que se perfilam nos perigosos tempos que vivemos.

Estarão em análise as soluções e medidas que o World Water Council preconiza com o intuito de contribuir para a abertura de perspetivas de aplicação de políticas e soluções de eficiência, resiliência, boa governança e inovação, bem como o agravamento de conflitos em importantes "bacias hidrográficas transfronteiriças", que reclamam a adoção de boas práticas de "hidrodiplomacia". Visamos atuar sobre as suas implicações para o setor, a vida das comunidades aos diferentes níveis e a procura dos equilíbrios ambientais, sociais, económicos e financeiros que estão em causa.

De relevar também que o facto de juntar em Lisboa prestigiados "leaders" e especialistas internacionais do Setor da Água, ao mais alto nível, de todos os Continentes, criará possibilidades para contactos bilaterais e multilaterais no âmbito da partilha de informação e do conhecimento com responsáveis nacionais deste setor, por forma a que a água ocupe o lugar "central" nas políticas públicas que urgem.

Face aos cenários que se nos colocam, reforça-se a pertinência de questionar "porque não está a água ainda no topo da agenda política internacional"**?

Há que agir para que, como acontece há décadas em Singapura, isso se concretize mais cedo do que tarde, no âmbito global e também em Portugal.

* IPCC- Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas_6.š Relatório de Avaliação, novembro 2021
** Why water is not in the international political agenda: Prof. Asit K. Biswas: International Journal of Water Resources Development, 2019, Vol. 35, Nš2, 177-180

Presidente do Conselho Diretivo da APDA - Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas
Membro do Board of Governors e do Bureau do World Water Council

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