Como construir uma relação conjugal saudável

Perante os inúmeros processos de separação e divórcio com que nos deparamos atualmente, importa tentar perceber o que falhou nestas relações. Quais são os desastres que ali aconteceram e que conduziram ao seu fim? E como prevenir estas situações e construir uma relação saudável e gratificante?

Apesar de não existirem receitas mágicas que funcionem com todos os casais e que os tornem imunes ao divórcio, sabemos que existem diversos fatores que aumentam a probabilidade de a relação não correr bem. São os chamados desastres da relação: crítica destrutiva, desprezo, muros de silêncio, ausência de afeto positivo, predomínio de emoções desagradáveis e falha nas tentativas de reparação.

Uma relação pautada pela crítica destrutiva e pelo desprezo, com o predomínio de afetos negativos, dificilmente será sentida como gratificante. Erguem-se muros de silêncio e defensividade em redor dos parceiros que, de forma sucessiva, tendem a falhar nas suas tentativas de reparação da relação. Os elementos do casal afastam-se, a comunicação deixa de ser eficaz e os conflitos tendem a ser geridos de uma forma desajustada. E, para muitos deles, a separação surge como a única alternativa viável.

Prevenir estes desastres é possível, mas exige dedicação e empenho por parte dos parceiros. Uma relação não sobrevive apenas do amor, precisando de outros ingredientes que, bem misturados (numa receita misteriosa que é única para cada casal), resultem numa relação sólida e gratificante.

De acordo com Gottman, os casais precisam de construir uma casa com sete andares para conseguirem uma relação saudável, começando, naturalmente, pelo rés-do-chão. Assim, na base dessa casa, os parceiros devem construir os seus mapas de amor, o que significa conhecerem-se, mostrar interesse pela trajetória de vida do outro e saber escutar. O 1.º andar é o andar das partilhas, sendo fundamental expressar aquilo que mais se admira no parceiro e demonstrar carinho e emoções positivas. Depois, devem virar-se para a relação, pedindo ajuda sempre que precisarem e criando, assim, um espaço seguro para partilharem pensamentos, emoções, objetivos, desejos e aspirações. Já no 3.º andar, é importante manter uma perspetiva positiva - casais com relacionamentos saudáveis tendem a ver o melhor do outro, o que significa que estão mais focados nas suas qualidades e potencialidades do que nos aspetos a melhorar. O 4.º andar é dedicado à gestão de conflitos. Os conflitos relacionais são inevitáveis e têm também uma função positiva, ajudando a identificar interações que não funcionam e a compreender melhor o outro. Já perto do telhado, encontramos o andar dedicado aos sonhos, sendo que quando estamos numa relação satisfatória, os sonhos tornam-se realidade. Os sonhos de cada um dos parceiros, e também do casal, devem ser encorajados e valorizados. E chegamos, então, ao último andar, que é quando conseguimos criar um significado partilhado. Cada parceiro tem histórias diferentes e uma bagagem que traz consigo. É quase como se viessem de mundos diferentes. Ao construir o "nós" da relação, acabam por criar também a sua cultura, os seus símbolos, valores e rituais que os definem enquanto casal. Definem a sua missão e o legado que querem deixar. Não existem receitas milagrosas para construir e manter uma relação saudável. Para além do amor, as relações precisam de cuidado diário, mimo, capacidade de escuta, tolerância e flexibilidade. Misture estes ingredientes muito bem misturados e verá a sua imunidade ao divórcio aumentar!

Psicóloga clínica e forense, terapeuta familiar e de casal

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