Cavalos de Troia

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O PS/Açores perdeu o poder, nos Açores, em novembro de 2020, depois de 24 longos anos de hegemonia política. Não o perdeu devido a qualquer crescimento explosivo do PSD, que elegeu 21 deputados. Um resultado que o deixou com menos 4 deputados que o PS e, sobretudo, a 8 deputados da maioria absoluta. A mudança política que ocorreu nos Açores ficou a dever-se, sobretudo, aos 9 deputados que o CDS/PP, o CHEGA, o PPM, a Iniciativa Liberal e o PAN conseguiram eleger.

Os mesmos que garantiram a aprovação do Plano e Orçamento da Região para 2023, impedindo assim que a Região, numa conjuntura marcada por uma gravíssima crise internacional e com prazos muito curtos para executar o PRR, caísse no abismo que significaria a inexistência de um Orçamento aprovado.

Estes partidos (e o deputado independente) tiveram o sentido de Estado necessário para assegurar a estabilidade governativa da Região Autónoma dos Açores. Algo que também têm garantido ao longo da legislatura. Juntos aprovaram e viabilizaram cerca de 96% das iniciativas apresentadas pelo Governo Regional da coligação no Parlamento dos Açores. Trata-se de uma situação estável. A mais estável de sempre, uma vez que o Governo Regional conta agora com o inédito apoio de 30 deputados para executar o Orçamento de 2023.

Mas não é só isto. Estamos a realizar avanços muito significativos em áreas como a redução dos impostos, o fim do processo de endividamento dos Açores, o desmantelamento dos prejuízos incalculáveis do sector público empresarial regional, a redução do RSI por via do crescimento do emprego e do combate à fraude, na melhoria das acessibilidades aéreas, na progressiva recuperação dos rendimentos da agricultura e das pescas, no avanço das políticas de proteção social, na melhoria das políticas ambientais e de proteção aos animais e num grande conjunto de matérias que seria fastidioso enumerar num artigo com estas características.

Tudo isto está a ser feito sem uma maioria absoluta monocolor, como a de António Costa na República. Mas, apesar de toda a arrogância dos socialistas e do já célebre "habituem-se", a verdade é que o Governo dos Açores é mais estável e coeso que o Governo socialista da República. As maiorias absolutas não garantem nada. Nem desenvolvimento, conforme se viu nos 20 anos de maioria absoluta que o PS/Açores usufruiu, nem estabilidade, como está à vista de todos no caso da maioria absoluta do PS na República.

Muitos têm destacado o papel do Presidente do Governo, José Manuel Bolieiro, em todo este processo. É justo que se faça este reconhecimento. É um mouro de trabalho e tem uma enorme capacidade de diálogo e de concertação de posições. É também um reformista e um humanista. Nunca me enganei tanto a propósito do carácter e das qualidades de uma pessoa, como nas declarações que fiz a seu respeito no passado. Estava errado.

Mas é justo que se destaque o papel do Vice-Presidente, Artur Lima, que teve na mão a chave para esta legislatura e que optou pela mudança e renovação do sistema político regional. Sem ele, o PS/Açores teria continuado no poder. As reformas que está a fazer nas políticas sociais são as mais arrojadas, justas e inovadoras em muitos anos. No seu conjunto, constituem a prova de vida que a democracia-cristã tanto necessita neste momento.

Não esqueço todos os outros que, como referi anteriormente, tanto têm feito para que a mudança política nos Açores estabilize e dê frutos. Esta legislatura demonstrará que a governabilidade e o progresso da Região são possíveis fora do quadro das maiorias absolutas monopartidárias, que marcaram a nossa História autonómica (as maiorias absolutas foram alcançadas em 10 das 12 legislaturas da Autonomia de 1976).

O PS/Açores soma dois anos de esforço "putiniano" para destruir o Governo de coligação. Sem êxito até ao momento, apesar da inclemente política de terra queimada que praticam. Surgem agora as vozes dos que advogam que o PSD se deve livrar da carga indesejada dos partidos que permitiram o seu regresso ao poder e que têm sustentado o Governo da coligação.

São os deserdados da situação, os que têm contas do passado para ajustar e os que estão ao serviço do PS/Açores, que são os mais numerosos. Estes últimos sabem que o PS/Açores caiu em 2020, apesar de somar 25 deputados, porque estava completamente isolado no sistema político regional. Nem o BE se quis comprometer com eles em novembro de 2020.

Em 2020, o poder "persa" do PS/Açores foi derrotado por uma grande associação de cidades "gregas" livres e democráticas. A manutenção, e até o fortalecimento desta grande coligação, está bem patente nos cartazes propagandísticos do PS/Açores. A sua conservação constitui um dos maiores êxitos políticos do Presidente do PSD. Naturalmente, o ataque aos equilíbrios alcançados por José Manuel Bolieiro visam a destruição política do próprio Presidente do Governo.

Mas o objetivo final desta manobra não é esse. Os encapotados sabem que estão a quebrar o "esplêndido isolamento do PS/Açores" e a criar as condições necessárias para o seu regresso ao poder. É esse o seu propósito. No que me diz respeito, faço minhas as palavras que celebrizaram o general romano Servilius Caepio: "Roma não paga a Traidores".

Líder parlamentar do PPM Açores

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