Compreender o mundo real tal como é,e não como gostaríamos que fosse, é o princípio da sabedoria.Bertrand RussellInfluente filósofo, matemático e historiador inglês (1872-1970) Bertrand Arthur William Russell, 3.º conde Russell, foi indiscutivelmente um dos maiores pensadores e um dos mais notáveis espíritos livres que partilharam connosco a sua visão e o seu saber ao longo do século XX. Nascido e falecido no País de Gales, no Reino Unido, foi neto de Lord John Russell, por duas vezes primeiro-ministro britânico, e teve uma vida longa, intensa e extremamente profícua.Com formação inicial no prestigiado Trinity College da Universidade de Cambridge, recebeu, entre outros galardões, a Ordem de Mérito do Reino Unido, em 1949, e, em 1950, o Prémio Nobel da Literatura. Em 1955, escreveu, em conjunto com Albert Einstein, um manifesto vulgarmente conhecido como o Manifesto Russell-Einstein, no qual alertava para o perigo das armas nucleares e apelava ao desarmamento e à procura de soluções pacíficas para os conflitos internacionais.Russell casou-se quatro vezes, tendo o último casamento ocorrido em 1952. Faleceu aos 97 anos, na sua casa em Penrhyndeudraeth, no dia 2 de fevereiro de 1970, vítima de gripe e das suas complicações. A sua última mulher, Edith Finch, nascida em 1900, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, faleceu em 1978.Como legado singular para as gerações futuras, Bertrand Russell gravou, em 1959, um testemunho, hoje disponível no YouTube, no qual apresenta dois desafios: um intelectual e outro moral. No desafio intelectual, afirma que, ao avaliarmos e analisarmos qualquer assunto, devemos sempre questionar quais são os factos e qual é a verdade, sem nos deixarmos desviar por aquilo que gostaríamos que fosse verdade ou pelo que pensamos que poderia ser benéfico, caso o fosse.O desafio moral é mais simples e assenta na ideia de que o amor é sábio e o ódio não é sensato. Num mundo cada vez mais interconectado, precisamos de aprender a conviver com a certeza de que algumas pessoas dirão coisas de que não gostamos. Para vivermos juntos e não morrermos juntos, é essencial cultivar um tipo de caridade e de tolerância absolutamente vital para a continuação da vida humana neste planeta.No mundo dos nossos dias, simultaneamente muito ligado e conectado, mas também profundamente dividido e polarizado, o legado de Bertrand Russell, apesar de ter falecido há mais de cinco décadas, mantém-se da maior atualidade. Sem qualquer dúvida, devemos aprender a viver juntos e, para isso, existem dois caminhos essenciais: o caminho da verdade, assente nos factos que sustentam a ciência e o conhecimento, e o caminho indispensável da tolerância.Doutorado em Saúde Pública e membro do Conselho Nacional de Saúde Pública