BEI, hidrogénio e lítio

A 7 de Abril de 2021 o Ministério do Ambiente Português e o Banco Europeu de Investimentos (BEI) celebraram um Memorando de Entendimento (MoU) "para estabelecer uma cooperação institucional no setor do hidrogénio" criando "uma parceria para acelerar investimentos no setor do hidrogénio" (presume-se que verde, mas não é claro).

De acordo com a página online do BEI, o BEI está "disponível para assegurar apoio financeiro a projetos elegíveis, assistência técnica e consultoria, de forma a promover investimentos neste setor em Portugal e melhorar a capacidade de financiamento dos projetos".

De novo se continua a dar absoluta prioridade ao armazenamento de energia verde com base num elemento - o hidrogénio verde - relativamente ao qual é necessário gastar rios de dinheiro e fazer inúmeras provas de conceito e validações técnicas. Tal já havia levado a agregar várias entidades energéticas e não só; entidades essas que, quando contactadas inicialmente pelo promotor do projeto - a empresa portuguesa de Marc Rechter, posteriormente marginalizado e, entretanto, nomeado pela Comissão Europeia para a mesa-redonda para a produção de hidrogénio da Aliança Europeia de Hidrogénio Limpo (ECH2A) - torceram o nariz ao megaprojeto de hidrogénio em Sines; mas que, quando agregadas pelo ministro do ambiente, tiveram uma epifania e abraçaram o projeto de alma e coração...

Mas este carinho especial pelo hidrogénio verde até seria aceitável - se feita com respeito pelo princípio da legalidade e sem atribuição de vantagens indevidas - se se cuidasse de olhar para outras formas de armazenamento verde, sobretudo com base em tecnologia já demonstrada e sem encargos para os contribuintes, como sucede no caso do lítio. Mas neste domínio o governo continua a não aderir ao IPCEI europeu, denominado "European Battery Innovation", para "apoiar a pesquisa e inovação na cadeia de valor das baterias" desde a fase das "matérias primas e sua transformação" às "células elétricas", "sistemas de baterias" e "reciclagem e sustentabilidade". Criado em 2019, é composto por 12 países e 66 empresas, algumas das quais são rivais de duas das empresas portuguesas que são membros da Aliança Europeia de Baterias (AEB) - a Lusorecursos e a Meterboost - que ficámos no passado dia 7 de Maio a saber todos que o competente ministro do ambiente desconhecia serem parte da AEB (como resulta do comunicado por si enviado à RTP a propósito do programa Sexta às 9)?

Matos Fernandes não é nenhum executivo inexperiente ocupando o tempo levianamente a dedilhar de forma incontinente nas redes sociais. Tem um currículo executivo sólido e estuda as matérias de forma profunda. Pelo que tem que se perguntar: como é que alguém com este perfil se esquece das empresas nacionais da AEB? e se esquece do IPCEI de baterias de lítio e que este cobre toda a cadeia de valor? e se esquece de fazer uma Estratégia Nacional para o Lítio? e se esquece de celebrar outro MoU para a área do lítio com o BEI? e interfere no processo negocial entre a Lusorecursos e a Northvolt (iniciado pela Northvolt)? e faz declarações públicas irresponsáveis procurando interferir de forma grosseira com o trabalho independente dos técnicos da APA?

Consultor financeiro e business developer
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