As relações entre Espanha e Portugal, historicamente, nunca foram tão boas como atualmente. Os fortes vínculos históricos, culturais, sociais e económicos entre os nossos dois países são, também, uma realidade no âmbito da segurança e da defesa, o que se traduz numa relação bilateral imprescindível para enfrentar os novos desafios e ameaças..O cenário geoestratégico atual, complexo e imprevisível, tem um carácter global e envolve muitos ambientes, seja o físico tradicional, o virtual ou o cognitivo. As novas ameaças são híbridas, misturando atores estatais e não estatais com ataques terroristas, cibernéticos ou atividades de desinformação..Este contexto requer, de Portugal e Espanha, uma abordagem multinacional, coordenada com os parceiros e aliados com os quais partilhamos uma visão comum da sociedade..Para isto, tanto Portugal como Espanha adotaram uma postura assente, principalmente, no multilateralismo, colaborando as duas nações para a segurança e a estabilidade mundiais no seio de organizações internacionais: as Nações Unidas, a União Europeia e a NATO..Atualmente, Portugal e Espanha, com os seus parceiros e aliados, participam, de modo combinado, na Operação Atalanta, na luta contra a pirataria ao largo da costa da Somália, em missões de treino da União Europeia, no Mali e na República Centro-Africana e no projeto europeu de Presenças Marítimas Coordenadas no Golfo da Guiné. Recentemente, terminámos, de forma coordenada, a nossa participação na missão Resolute Support Mission, da NATO, no Afeganistão..Estas missões no exterior representam o firme compromisso dos dois países com a segurança e a estabilidade internacionais, que são também uma necessidade nacional, pois, atualmente, não é possível distinguir entre segurança externa e interna. Hoje em dia, a segurança é global e inicia-se na estabilização dos locais que sofrem, seja com o terrorismo internacional ou em consequência de Estados falhados, resultantes da pobreza ou da guerra..Para os nossos países, o Atlântico, África e o Mediterrâneo são prioritários e apresentam os maiores desafios, já que da estabilidade e da prosperidade dessas regiões dependem também os nossos países e, claro, toda a Europa. Devemos continuar a participar ativamente em projetos de cooperação como a Iniciativa 5+5 e em outros fóruns de diálogo e cooperação no seio da NATO, da OSCE, do Conselho da Europa ou da OCDE..A nível bilateral, Portugal e Espanha mantêm uma profícua e duradoura relação estratégico-militar, corporizada nas reuniões anuais dos Estados-Maiores Peninsulares. Com a 65.ª edição a ter lugar neste ano, estas reuniões constituem-se como o principal motor da cooperação militar luso-espanhola..Por outro lado, na área da indústria de defesa, estamos num processo de fortalecimento da cooperação e das sinergias através de uma aposta conjunta nas pequenas e médias empresas das indústrias de defesa espanhola e portuguesa. O objetivo é alcançar um papel relevante nos programas comuns de defesa, nomeadamente no âmbito da Cooperação Estruturada Permanente da UE (PESCO)..Espanha e Portugal, em conjunto com outros parceiros europeus, participam em vários projetos PESCO, seja com vista à melhoria do comando e controlo nas missões de Política Comum de Segurança e Defesa da União Europeia, seja com o objetivo de melhorar a mobilidade militar europeia ou, ainda, para fortalecer a capacidade europeia de vigilância e proteção dos portos..Todos estes esforços e iniciativas, desenvolvidos em conjunto por ambas as nações, resultam numa força e influência na arena internacional muito maior do que a resultante da soma das suas ações individuais..Portanto, bilateral ou multilateralmente, temos de continuar pelo caminho atual, fortalecendo as nossas magníficas relações na área da defesa e da segurança que são, e estou seguro de que continuarão a ser, uma história de sucesso..Almirante-general, chefe de Estado-Maior das Forças Armadas de Espanha