O envelhecimento populacional é, sem dúvida, uma das transformações sociais mais significativas do nosso tempo. É e será assim em Portugal, confirmam os Censos 2021, mas também se espera que o seja em todo o mundo. De acordo com as Nações Unidas, durante as próximas três décadas, prevê-se que o número de idosos duplique, chegando a mais de 1500 milhões em 2050..A importância das chamadas "políticas de longevidade" reside em respostas que cruzam diversos setores, desde a saúde e a ação social, até à economia e à cultura. Nestes há que ter em conta investimento, mas também uma forte componente de empatia e, sobretudo, inclusão..Mais e melhores cuidados de saúde complementados com serviços de apoio ao domicílio são necessários, cumprindo o direito à saúde, que promove a manutenção e a recuperação do bem-estar físico, mental e emocional dos mais velhos. Mas, paralelamente, é imperativo garantir a autonomia e a independência que permite aos idosos um maior envolvimento na sociedade , um sentido de propósito e uma consequente participação ativa em diferentes aspetos da vida em comunidade..Manter e promover a ligação à sociedade, indo além da lógica sanitária e assistencialista, é o caminho que todos precisamos de percorrer. Não só devemos pugnar pela inclusão dos idosos na formulação e na aplicação das políticas que afetam diretamente o seu bem-estar, como também é essencial que possam aproveitar as oportunidades para o pleno desenvolvimento do seu potencial. Isto implica que tenham acesso aos recursos necessários, como as modernas tecnologias de comunicação, devidamente adaptadas, para favorecer a ligação ao mundo que os rodeia..Envelhecer com qualidade de vida passa por aqui, por uma adequada integração da longevidade. Neste ano, o Dia Internacional do Idoso, assinalado hoje, foca-se na igualdade digital para todas as idades e enfatiza a necessidade de os idosos terem acesso e participação significativa no mundo digital. A inclusão digital pede-nos sensibilização, até porque existirão sempre riscos de se perpetuarem estereótipos e formas de discriminação neste "mundo novo" para muitos. A sociedade digital também deve ser uma sociedade para todas as idades..No dia-a-dia de uma instituição multicentenária com uma longa história no cuidado e no apoio aos mais fragilizados, deparamo-nos com vários desafios e o mundo - cá dentro e lá fora - mostra-nos que o desconhecimento ou a implementação ineficaz de algumas medidas têm um impacto doloroso. Como se pode justificar que, em Portugal, apenas 14% dos idosos pobres usem apoios para pagar medicamentos?.Viver mais não pode ter um preço assente em desigualdade, dependência ou menos direitos. Viver mais tem de ser sinónimo de realização e autonomia porque os desejos e a dignidade de cada um não têm prazo.