As competências necessárias num mundo mais digital

No último ano, é indiscutível o impacto que a tecnologia teve nas nossas vidas. Foi a tecnologia que permitiu que muito do que se passa na nossa vida pessoal e profissional não parasse. O que tornou o domínio e a literacia digital ainda mais relevantes e expôs as lacunas de desenvolvimento e investimento neste campo.

Olhando para os números, uma parte relevante da população portuguesa não demonstra o nível de literacia digital necessária para enfrentar os desafios atuais. De acordo com o Índice de Digitalização da Economia e da Sociedade 2020, só 26% dos trabalhadores têm competências digitais na ótica do utilizador e 12% competências avançadas, dados inferiores à média europeia (28% e 21%, respetivamente).

Dados da Organização das Nações Unidas de 2020 indicam que a educação é o fator que mais impede Portugal de melhorar a sua posição no Índice de Desenvolvimento Humano, atualmente no 38.º lugar entre 128 países. Portugal é o país que apresenta a percentagem mais elevada de população sem o ensino secundário completo (47,8%) face ao resto da Europa, de acordo com os dados da Pordata de 2019.

Em paralelo, dados do LinkedIn Economic Graph preveem a criação de 427 mil postos de trabalho em Portugal orientados para a tecnologia até 2025, destacando o desenvolvimento de software, análise de dados e segurança cibernética como áreas de maior desenvolvimento.

Estes dados mostram que necessitamos de sentido de urgência para colmatar o gap atual na educação e na literacia digital da sociedade portuguesa, sob pena de não estarmos prontos para as exigências do mercado de trabalho do futuro próximo. Para isso, é crucial uma aposta contínua na educação digital, desde cedo, bem como na requalificação da força de trabalho.

É necessário reinventar a educação: apostar da modernização do espaço escolar, na democratização do acesso às tecnologias, mas sobretudo adotarmos a tecnologia para amplificar, acelerar e interligar os alunos e a aprendizagem, incorporando-a nos novos currículos pedagógicos, preparando-os para um futuro que sabemos ser mais digital.

Mas não podemos apenas pensar nas gerações mais novas. A pandemia veio mostrar que a falta de competências digitais é um fator de desigualdade no acesso ao emprego e a melhores oportunidades.

Na Microsoft, esta questão foi identificada cedo e, em junho do ano passado, lançámos a Global Skills Initiative, que já ajudou 30 milhões de pessoas em todo o mundo e 178 mil pessoas em Portugal a adquirir competências digitais. Estes números suplantaram em muito os objetivos iniciais, mostrando a relevância da mesma e fizeram-nos prolongar a iniciativa até ao final deste ano. E há mais programas, muitos deles gratuitos, de que muitos podem beneficiar.

Acredito que a tecnologia e as ferramentas digitais irão desempenhar um papel cada vez mais crítico na promoção de um mercado de trabalho mais inclusivo e num futuro mais promissor para o nosso país. É assim necessário que as organizações privadas e públicas priorizem este tema, de forma a garantirmos que ninguém é deixado para trás.

Diretora-geral da Microsoft Portugal

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