Arroios, o que aí vem… 

Arroios é a freguesia "mais cool de Lisboa"! Não é preciso ser a Time Out a classificá-la, basta andar pelas ruas para nos cruzarmos com pessoas de noventa e duas nacionalidades, aspeto visível pelos trajes que vestem e na língua que falam. Gerir toda esta diversidade não é tarefa fácil ! Mas, quando nos deparamos com artigos científicos internacionais que abordam como a freguesia é exemplo de inclusão e de interculturalidade, percebemos a qualidade do trabalho que tem sido feito. "Arroios é de todos e para todos", é o lema da presidente Margarida Martins. O empenho tem dado frutos, porque a diversidade é a riqueza da freguesia e a boa convivência que se vive nos bairros e nas ruas é disso a maior prova.

Recentemente, chegaram mais emigrantes vindos do Oriente e Norte de África, e também refugiados fugidos da guerra da Síria e do Iraque. Trazem consigo línguas e culturas muito diferentes, e hábitos de vida desconhecidos. Para não criar guetos, nem ódios, há que trabalhar a interculturalidade, que tem na educação e na convivência as suas maiores aliadas.

Foi nesse sentido que foi criada a Biblioteca Pública do Médio Oriente e Norte de África, dando continuidade à política, bem sucedida, de integração que a Margarida Martins tem realizado em Arroios. Tem como missão dar a conhecer a língua e a cultura portuguesa a estes novos fregueses, mas também mostrar a sua língua e cultura aos que moram em Arroios há mais tempo.

O apoio que o Instituto Camões deu, desde a primeira hora, com a doação de livros de autores portugueses traduzidos para estas línguas, mostra bem a necessidade que há em dar a conhecer a língua e a cultura portuguesas a estas novas comunidades, que estão a crescer no nosso país, e que fazem parte do futuro de Portugal. Por outro lado, o apoio das embaixadas destes países é fundamental para dar a conhecer a língua e a cultura destes países.

Mas desengane-se quem pensa que os quase mil livros em árabe, turco, farsi, hindi e urdo são suficientes, apesar de ter havido mais de cem visitas, e da requisição dos livros dos autores portugueses traduzidos para árabe ou dos livros infantis, de poemas e de história, bilingues em árabe/francês/inglês/português. É preciso criar novas dinâmicas para divulgar o conhecimento! As bibliotecas deixaram de ser "locais de armazenamento de livros", como bem refere o atual vogal da Cultura da JFArroios, António Serzedelo.

Nesse sentido, foi elaborado um ambicioso programa de atividades, que passa pelo ensino de português nível 0, em coordenação com o Instituto Camões, a promoção de conferências e de cursos de curta duração em parceria com o Instituto Politécnico de Lisboa, a criação de uma Videoteca, também em colaboração com o IPL, foram feitos protocolos com o Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves, e brevemente com a Fundação Oriente e Museu Nacional de Arte Antiga. Com o CNAIM/ACM, vamos fazer workshops de culinária com refugiadas, com receitas milenares transmitidas de mães para filhas, muito embora precisemos de apoio de empresas de retalho para o melhor sucesso das iniciativas! Carecemos ainda de mais apoios, porque a Junta de Arroios tem os mesmos recursos humanos e o trabalho triplicou com a nova Biblioteca Pública do Médio Oriente e Norte de África.

Para já, e para assinalar a inauguração oficial que teve lugar ontem, na Fundação Oriente, a JFArroios está a promover durante esta semana a Cultura e a Gastronomia do Médio Oriente e Norte de África. Para além de conferências online na Biblioteca de São Lázaro, já no dia 24, a JFArroios pediu aos restaurantes com culinária destas regiões que fizessem ofertas e promoções no menu habitual, quer presencial ou no take away ! É mesmo de aproveitar !

Sabemos que estamos no caminho certo, porque "Arroios é de todos e para todos", melhor dizendo, "Portugal é de todos e para todos"!

Cocoordenadora cultural e científica da Biblioteca do Médio Oriente e Norte de África

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