Esta semana trouxe novos máximos em Wall Street. O S&P 500 e o Nasdaq voltaram a negociar em níveis recorde, num movimento liderado pelas empresas tecnológicas e sustentado pelo entusiasmo em torno da Inteligência Artificial. Os desenvolvimentos no Médio Oriente também contribuíram para um ambiente mais construtivo para os ativos de risco. Os EUA e o Irão sinalizaram a possibilidade de retoma das negociações, reduzindo o risco de uma escalada do conflito.Este alívio foi particularmente relevante para o mercado energético, tendo em conta a importância do Estreito de Ormuz para o transporte global de petróleo. O Brent estabilizou perto dos 95 dólares por barril, à medida que o mercado passou a descontar uma menor probabilidade de disrupção na oferta. Ao mesmo tempo, a época de resultados nos EUA arrancou de forma positiva. Alguns dos principais bancos superaram as expectativas, beneficiando sobretudo da atividade de trading, num contexto de maior volatilidade nos mercados. O Goldman Sachs e o JPMorgan Chase reportaram receitas sólidas nestas áreas, enquanto a atividade de banca de investimento continua mais moderada.Este desempenho está ligado a uma mudança estrutural no modelo de negócio. Os bancos estão cada vez mais expostos a hedge funds e trading firms, através de serviços de financiamento e prime brokerage.Segundo a S&P Global Ratings, esta dinâmica tem sido acompanhada por níveis elevados de alavancagem e por uma forte concentração de risco. Num cenário de maior volatilidade, a necessidade de reduzir posições pode desencadear movimentos abruptos e amplificar perdas.Por fim, começam a surgir sinais de maior complacência. Alguns movimentos extremos em ações associadas à Inteligência Artificial sugerem um regresso de comportamentos mais especulativos.Para já, o mercado continua a ignorar estes riscos, suportado por resultados sólidos e por um enquadramento macro que permanece suficientemente estável para sustentar o apetite pelo risco.