O título deste importante contributo para a lusofonia, não acaba no título, já que se trata de um caso de estudo, baseado nas “lições da missão de cooperação para a reforma das forças armadas (FA) da Guiné-Bissau” (GB), do investigador angolano, Zeferino Pintinho, conceituado especialista em segurança, defesa e política externa africana. O lançamento/apresentação deste testemunho/análise à MISSANG, a Missão Militar Angolana na Guiné-Bissau (2007-2022), terá lugar esta sexta 9, na Biblioteca do Palácio Galveias, ao Campo Pequeno, às 19h00.Com prefácio do agora detido Domingos Simões Pereira, Presidente do PAIGC e última esperança dos bissau-guineenses, esta publicação não poderia ter melhor timing, já que a GB encontra-se de novo nas mãos de um Alto Comando Militar, desde 26 de novembro último!Considerações sobre ‘Angola e os desafios’, no contexto MISSANG:Angola iniciou um tipo de cooperação inédita em África, sem mandato da ONU ou da União Africana, baseada em acordos bilaterais tendo como foco a reforma estrutural das FA, desde a cozinha ao paiol. Esta inovação demonstrou ter vantagens operacionais e fragilidades políticas.Operacionalmente, a não subordinação a um “mandato terceiro”, permitiu decisões céleres, passadas do telefone para o “papel de correio electrónico”, sem carimbos, nem supervisões, reflexo também de um conforto continental-cultural, entre primos que se reconhecem no sotaque e na anedota do português colonial-marialva, que ficou para sempre. Pragmáticos e directos, os angolanos estavam a seguir o roteiro traçado e com resultados, mas!Politicamente, a fragilidade revelou-se em 2012, com o golpe militar que interrompeu o processo eleitoral em curso. Ou seja, a fragilidade deste inédito bilateral lusófono, é dependência das vontades políticas internas, onde diferentes facções podem optar pela sabotagem, por vantagens pessoais ou de grupo. Em rigor, o que aconteceu em 2012, foi o que aconteceu no 26 de novembro, a interrupção de um processo eleitoral, para a manutenção ou conquista do poder.Relativamente a 2012, o que incomodou a África Ocidental, neste Sul-Sul inédito, foi uma potencia lusófona, Angola, estar a colocar a sua “foice em seara francófona”. Daí a interferência. Apesar disso, Angola continuou o “trabalho de formiguinha” a que se tinha proposto, escrevendo assim página importante na sua diplomacia e cooperação militar, com detalhes por descobrir e explorar, a partir das 19h00, da próxima sexta-feira, no Palácio Galveias.Cumprimento o autor/amigo, Zeferino Pintinho, desejando-lhe um Ano Novo pleno de conseguimentos! Politólogo/arabista www.maghreb-machrek.ptEscreve de acordo com a antiga ortografia