Amanhã

Da minha janela vejo o Tejo azul. Com um céu limpo e cheio de luz, vejo, na outra margem, o Cristo Rei.

Ao seu lado a magnífica ponte que liga as duas margens, que durante milénios apenas se juntaram navegando este maravilhoso rio que junta também dois mares.

Passam na minha janela um cacilheiro e dois veleiros que se inclinam para aproveitar o vento que os levará no seu passeio.

É um tempo de liberdade e de prazer, um tempo de sair de casa e aproveitar tudo aquilo que este país tem para nos oferecer.

No mar, nas serras, nos campos, nas matas, tudo temos para estarmos felizes na nossa vida.

Um país lindo de morrer, com gentes que encantam todo o planeta, uma sorte que faz inveja ao mundo inteiro.

Abri o jornal, com esta sensação de felicidade de ser rei do mundo, da beleza e da paz.

Que horror.

Vão subir os impostos, há fogo por todo o lado, as mortes sobem sem se saber porquê, a inflação vai destruir a economia, o serviço nacional de saúde está no caminho da destruição, a justiça foi esquecida pelo governo, há falta de professores, a agricultura em estado lamentável, não há quem queira trabalhar no turismo.

Há guerra na Ucrânia e a Europa vai gelar.

Nos Estados Unidos julga-se o assalto ao Capitólio e no Brasil decide-se a presidência entre extremos.

Em Itália, o primeiro-ministro, que é uma referência de qualidade no Mundo, quer sair do governo.

Já não chego à página da necrologia.

Fechei o jornal.

Parece que ficou escuro lá fora.

Passou o dia com coisas importantes e outras levianas.

Ao fim do dia, olho lá para fora e o pôr do sol começa a mostrar-se, maravilhoso.

Uma luz incrível e uma força que nos faz acreditar de novo que Deus existe e que este Mundo foi criado para nos receber e para nos ajudar crescer, a aprender, a ter esperança de que poderemos ser cada dia melhores e mais felizes.

Que o Mundo merece o nosso esforço e o nosso cuidado.

Que merece toda a nossa atenção e a nossa colaboração para se fazer um Mundo cada vez melhor.

Um Mundo de Paz, um Mundo de amor, um Mundo de pessoas que se preocupam uns com os outros.

Dá-nos a força de ajudar quem precisa, de lutar pelos que são desfavorecidos e por todos os que se sentem infelizes.

É um pôr do sol que não acaba o dia, mas que o completa.

Com uma energia que resultou de toda a azáfama em que nos envolvemos para conseguir resolver o nosso dia a dia.

Uma beleza que nos faz ser capazes de sonhar, de acreditar de novo que tudo é possível.
Fechei as janelas.

Apaguei as luzes, com a secretária limpa das dores do hoje e preparada para receber as oportunidades de amanhã.

E fui-me embora a sonhar que amanhã vou abrir o jornal e vou ler o azul do Tejo, o limpo do céu, o Cristo rei e a ponte que juntou as margens deste rio que liga os dois mares, com cacilheiro e muitos veleiros a apanhar o vento para chegar cada vez mais longe.


bruno.bobone.dn@gmail.com

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